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Comperj: eldorado verde e amarelo

Fonte jornal Monitor Mercantil

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Os números do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro, cujas obras de terraplenagem já estão sendo tocadas, de acordo com o licenciamento ambiental estadual, são gigantescos. Espantosos até. Área de 45 milhões de m², investimentos de US$ 8,38 bilhões. bilhões até 2012, 212 mil empregos diretos e indiretos (quando entrar em operação, 5 mil empregos diretos), 150 mil barris de petróleo bruto processados, que se transformarão em matérias-primas para vários produtos de consumo interno e destinados à exportação e tantos outros benefícios sócioeconômicos.

Com tudo isso, a Região Metropolitana do Rio de Janeiro se tornará finalmente numa megalópole, pois as cidades se unificarão de maneira fantástica. Serão 11 municípios, sendo os mais próximos São Gonçalo, Niterói, Magé, Maricá, Rio Bonito, Tanguá, Cachoeiras de Macacu e Guapimirim – além dos da Região dos Lagos, que serão unidos umbilicalmente pela natureza desenvolvimentista do ouro negro, o petróleo.

É a esperança de dias radiosos e esplendorosos para muitas famílias, que acorrerão a Itaboraí, São Gonçalo, Tanguá e Rio Bonito, na busca de emprego. Essa corrida, no entanto, pode ser também trágica. Quem duvida disso? A informação do presidente do Comperj, Nilo Vieira, é de que tudo está preparado para que "os pilares da sustentabilidade" não sejam abalados ou destruídos. O ministro Carlos Minc (Meio Ambiente) também garante isso.

É importante, no entanto, que se atente para alguns detalhes fundamentais, como o da comunicação e interação entre os municípios da região, bem como com os de outros municípios do estado. Nesse contexto estão estradas, navegação fluvial e telefonia, construção de postos de saúde e hospitais, escolas, segurança pública, instalação de redes de água potável e esgotamento sanitário, preservação ambiental e outros que se relacionam com o bem estar das populações como cultura e lazer.

Muita gente diz que não se quer que Itaboraí e cidades do seu entorno sejam faveladas, como aconteceu em Macaé e Campos. Mas isto é praticamente inevitável, pois São Gonçalo e Itaboraí já têm os seus barraquinhos, muitos deles sem água e sem esgoto.

Essa favelização começou aos poucos, logo após da inauguração da Ponte Presidente Costa e Silva (Rio-Niterói), a partir de 1975, quando houve uma forte corrente migratória do Rio (Zona Norte) para as cidades do outro lado da Baía – Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Maricá, Tanguá e Rio Bonito.

O ministro Carlos Minc concedeu recentemente uma ampla entrevista sobre o Comperj, falando da agilidade e do rigor com que concedeu, então como secretário estadual de Meio Ambiente, o licenciamento para a implantação do Complexo Petroquímico, e destacou o acerto da medida, dizendo que foi tudo dentro da lei, desburocratizada na sua interpretação e aplicação, mas observando o rigor necessário para a existência de um desenvolvimento sustentável na região.

O ministro não deve ter esquecido, como deixou claro na sua avaliação do processo, de examinar cuidadosamente as suas consequências e da orientação técnica, e até mesmo política, quanto a soluções dos problemas do Comperj. Eles são muitos e não fáceis de serem resolvidos dentro do exíguo prazo de cinco anos (2013), tempo que se espera para a usina de beneficiamento de petróleo de Itaboraí entrar em funcionamento.

Pois bem, se até lá os problemas de transportes, de telecomunicações, de energia, de habitação, de saúde e segurança, de escolas, de água potável e esgotamento sanitário não estiverem resolvidos, de quem será a culpa? Do ministro, do presidente Lula, do governador, do presidente do Comperj ou do presidente da Petrobras?

Essa é uma das questões, porque formar mão-de-obra é importante, sim, mas não é o bastante. Todas essas cidades que estão no entorno de Itaboraí, sede do Complexo Petroquímico, vão receber milhares e milhares de pessoas ávidas, ansiosas, loucas, por um emprego, mesmo sem qualificação, e elas vão demandar os mais variados serviços públicos. Casas, escolas para os filhos, postos de saúde e hospitais, principalmente.

É preciso atendê-los, caso contrário, ao invés de eldorado verde e amarelo, irão encontrar sofrimento, dor, sangue e um cemitério sem vaga para novos clientes.

Pereira da Silva, Pereirinha

Conselheiro da Associação Brasileira da Imprensa (ABI).

Julho 5, 2009 Posted by | jornalismo | Deixe um comentário