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Prefeitura de Maricá negocia construção de Oceanário projetado por Niemeyer

Texto: Marcelo Moreira | Fotos: Divulgação

Traços do arquiteto que conquistou o mundo podem ser vistos em Maricá na Casa de Darcy Ribeiro.

Traços do arquiteto que conquistou o mundo podem ser vistos em Maricá na Casa de Darcy Ribeiro; ligação com a cidade inclui ainda fazenda de sua família em Bananal

Um dos últimos projetos da carreira do gênio da arquitetura, Oscar Niemeyer, pode virar realidade em Maricá. Pouco mais de um mês antes da morte do arquiteto, representantes do seu escritório, Arquitetura Urbanismo Oscar Niemeyer, se reuniram com a Prefeitura de Maricá para viabilizar a construção de um oceanário na cidade – projeto considerado estratégico pela administração municipal para impulsionar o turismo na região. Niemeyer morreu na quarta feira (05/12) no Rio de Janeiro, aos 104 anos.

Segundo o secretário executivo de Maricá, Márcio Leite, que participou do encontro com a fundação, o projeto do oceanário já existia e está sendo adaptado para a cidade. “A primeira conversa que tivemos foi ótima e a prefeitura agora aguarda o envio de documentações e do projeto final, para decidir a melhor maneira de viabilizar tanto a elaboração do projeto quanto a construção da obra”, explicou o secretário. O local em estudo é uma grande área da prefeitura às margens da lagoa de Ponta Negra.

O prefeito Washington Quaquá defende o projeto como forma de homenagear um dos mais brilhantes representantes brasileiros em todo o mundo. "Niemeyer é de família originária de Maricá. Seu avô, Ribeiro de Almeida, que foi ministro do STF, dá nome a uma das principais ruas da cidade. Estamos contratando o projeto do "Oceanário Niemeyer" que é uma das últimas obras realizadas por um dos maiores brasileiros de todos os tempos", declarou o prefeito.

Em entrevista ao jornalista Geneton Moraes Neto, publicada posteriormente no livro “As Grandes Entrevistas do Milênio” (Editora Globo), Niemeyer cita as raízes de sua família em Maricá, quando questionado sobre o fato de se dizer um homem sem crença. “Venho de uma família católica – que veio de Maricá, eram fazendeiros. O meu avô foi do Supremo Tribunal. Tínhamos missa em casa, com a presença de vizinhos. Mas, quando saí para a vida, superei tudo isso. Vi que o mundo era injusto. Não acredito em nada. Acredito na natureza: tudo começou não se sabe quando nem como. Eu bem que gostaria de acreditar em Deus. Mas não. Sou pessimista diante da vida e do homem”, declarou na ocasião.

Família do arquiteto possui fazenda em Maricá; cidade também abriga a Casa de Darcy Ribeiro, projetada por Niemeyer

Projetada por Oscar Niemeyer em formato de sol, a casa de Darcy Ribeiro fica em Cordeirinho e foi restaurada pela prefeitura em 2011, em parceria com empresas da cidade. Como homenagem à importância do senador na educação, o local vai abrigar um centro de capacitação de professores da rede municipal. A casa também ganhou uma escultura do artista local Alexandre Shiachticas, que reproduz o gesto de Darcy ao voltar do exílio. O local foi usado como refúgio de praia pelo escritor, antropólogo e político, que morreu em 1997.

A outra ligação importante entre Maricá e Niemeyer é a fazenda de sua família, na localidade de Bananal, tombada em 1985 pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (INEPAC) e que, antes, chegou a ser modificada pelo arquiteto, apesar de preservar muitas características das casas de fazenda do interior fluminense nos séculos XVIII e XIX. A casa é simples, com paredes brancas e decoração dourada, e o local também abriga uma capela.

Projetada por Oscar Niemeyer em formato de sol, a casa de Darcy Ribeiro fica em Cordeirinho e foi restaurada pela prefeitura em 2011.

A casa ganhou uma escultura que reproduz o gesto de Darcy ao voltar do exílio.

Prefeito defende o projeto do oceanário como forma de homenagear um dos mais brilhantes representantes brasileiros em todo o mundo. Na foto (arquivo), a primeira dama Rosangela Zeidan, o mestre da arquitetura Oscar Niemeyer e o prefeito de Maricá, Washington Quaquá.

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Dezembro 7, 2012 Posted by | Arquitetura e Urbanismo, jornalismo, turismo, Urbanização | , , , , , | Deixe um comentário

Velório de Oscar Niemeyer no Rio será aberto ao público nesta sexta

Durante a madrugada, cerimônia foi restrita a amigos e familiares.
Arquiteto será enterrado ainda nesta sexta, no Cemitério São João Batista.

Fonte: G1 Rio

Chegada do caixão com o corpo do arquiteto Oscar Niemeyer (Foto: Foto: Marcelo Piu / Agência O Globo )Chegada do caixão com o corpo do arquiteto Oscar Niemeyer (Foto: Foto: Marcelo Piu / Agência O Globo )

O velório de Oscar Niemeyer no Rio será aberto na manhã desta sexta-feira (7), no Palácio da Cidade, em Botafogo, na Zona Sul. Previsto para começar às 8h, até as 8h05 não havia começado. Durante a madrugada, a cerimônia foi restrita a amigos e familiares. O arquiteto morreu às 21h55 de quarta-feira (5), aos 104 anos, em decorrência de uma infecção respiratória, no Hospital Samaritano, também em Botafogo.

O corpo do arquiteto voltou à cidade na noite desta quinta-feira (6), após um primeiro velório em Brasília. De acordo com o Terceiro Comando da Força Aérea Regional, o corpo chegou ao Aeroporto Santos Dumont às 22h08 e, em seguida, foi levado para o Palácio da Cidade, onde chegou às 22h35.

Corpo de Oscar Niemeyer chegou ao Palácio da Cidade, no Rio, às 22h35 (Foto: JP Engelbrecht/G1)Corpo de Niemeyer será velado no Palácio da
Cidade (Foto: JP Engelbrecht/G1)

O enterro está programado para o fim da tarde desta sexta, no Cemitério São João Batista, também em Botafogo.

A viúva Vera, o sobrinho Paulo, e o neto Carlos Oscar Niemeyer foram os primeiros a chegar ao Palácio da Cidade.

Lembranças do neto
O neto contou que trabalhou com o avô durante 13 anos e lembrou dos ensinamentos que recebeu.

"Eu trabalhei com o Oscar durante 13 anos e aprendi com ele três coisas importantes. Ele dizia a vida é um segundo, isso quer dizer que a gente tem que viver uma vida bem vivida; falava também que o mundo é injusto, temos que modificá-lo; e que a palavra mais bonita é solidariedade", ressaltou o neto, acrescentando que "o Oscar teve uma vida de trabalho, de amizades, fazendo só coisas boas, então acho é normal que ele seja uma pessoa querida. Lá em Brasília estava todo mundo emocionado", concluiu Carlos Oscar.

Velório em Brasília
À tarde, segundo estimativa da Polícia Militar (PM) do Distrito Federal, 3,8 mil pessoas, em fila, passaram pelo Salão Nobre do Palácio do Planalto nas três horas e 45 minutos de velório.

A previsão era que o velório se encerrrasse por volta das 21h, mas a familia decidiu antecipar a volta ao Rio. Cerca de cem pessoas que aguardavam a passagem do caixão do lado de fora do palácio cantaram o Hino Nacional em homenagem a Niemeyer.

Oscar Niemeyer completaria 105 anos no dia 15. Ele estava internado havia pouco mais de um mês.

No Planalto, Dilma e a viúva de Niemeyer foram as primeiras a se aproximar para observar o corpo. A tampa do caixão não foi retirada. Apenas uma abertura de acrílico permitia que se visualizasse a face do arquiteto.

O vice-presidente da República, Michel Temer, e os presidentes do Senado, José Sarney, da Câmara dos Deputados, Marco Maia, e do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, também foram se despedir de Niemeyer. Temer fez o sinal da cruz ao se aproximar do caixão.

Em seguida, se formou uma fila de autoridades no salão nobre do Planalto para prestar a última homenagem ao arquiteto famoso. A presidente Dilma se manteve o tempo todo, em pé, ao lado da cadeira onde estava sentada a viúva de Niemeyer.

Ministros de Estado, parlamentares, governadores e prefeitos que compareceram ao velório cumprimentaram Vera Lúcia e manifestaram palavras de apoio.

Por volta das 16h15, Dilma pediu que seu chefe de gabinete conduzisse a viúva ao terceiro andar do palácio, onde fica o gabinete presidencial. Em seguida, a própria presidente deixou o salão acompanhada da chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann.

O velório de Niemeyer é o terceiro realizado no Salão Nobre do Palácio do Planalto. O primeiro foi o do ex-presidente Tancredo Neves, em 1985. O segundo foi o do ex-vice-presidente José Alencar, no ano passado.

Luto oficial
Nesta quinta, Dilma Rousseff decretou luto oficial de sete dias. O decreto deverá ser publicado no "Diário Oficial da União" nesta sexta (7). Durante o período de luto, a bandeira nacional deve ser hasteada em meio mastro em todas as repartições públicas, estabelecimentos de ensino e sindicatos.

dilma_caixao_320 (Foto: Roberto Stuckert Filho/PR)Dilma ao lado da viúva Vera Lúcia, durante o velório de
Niemeyer no Planalto (Foto: Roberto Stuckert Filho/PR)

A lei prevê que, no caso de morte de autoridades civis ou militares, o governo pode decretar luto de, no máximo, três dias. A lei prevê, porém, que "em face de notáveis e relevantes serviços prestados ao país" pela pessoa falecida, o período de luto poderá ser estendido até no máximo sete dias.

O governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, decretou luto oficial de sete dias pela morte do arquiteto.

MST
Um grupo de integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) prestou uma homenagem a Oscar Niemeyer durante o velório do arquiteto no Palácio do Planalto.

Portando bandeiras, camisetas e bonés do movimento entraram na fila do público que deu o último adeus ao arquiteto. No momento em que entraram no Salão Nobre, os sem-terra se posicionaram diante do caixão para ler um manifesto. Ao longo dos cerca de três minutos de homenagem, os membros do movimento classificaram o idealizador dos principais monumentos de Brasília de “um sábio, solidário e comunista”.

frases_niemeyer_palacio_300 (Foto: Editoria de Arte / G1)

“Niemeyer foi mais do que um arquiteto, foi um amante da vida e um incansável defensor da igualdade entre todos os seres humanos. Era comunista, não por doutrina. Mas porque acreditava que todos os seres humanos são iguais e que deveríamos ter as mesmas condições de vida. Por isso, foi acima de tudo um companheiro de todos nós”, disseram os integrantes do MST.

Entre os cerca de 50 sem-terra que foram ao Planalto para se despedir de Niemeyer havia homens, mulheres e crianças. O grupo disse ter “imenso orgulho de ter sido amigo” do arquiteto famoso. Antes de deixar o salão, os sem-terra cantaram o hino da internacional socialista e aplaudiram Niemeyer.

Homenagens
De acordo com a assessoria do Planalto, foram enviadas 45 coroas de flores que serão doadas nesta sexta para uma instituição de assistência do Distrito Federal, a exemplo do que ocorreu após o velório do ex-vice-presidente José Alencar. Consultada, a família concordou com a doação.

Cortejo
O corpo de Oscar Niemeyer chegou a Brasília às 14h18 desta quinta-feira (6), trazido do Rio de Janeiro em um avião da Presidência da República, e seguiu em cortejo em carro aberto até o Palácio do Planalto, passando pelo Eixão Sul e pela Esplanada dos Ministérios, onde estão as principais obras do arquiteto na capital do país.

VALE ESTE Vida e Obras de Niemeyer (Foto: Arte/G1)

Palácio do Planalto
O velório de Niemeyer ocorreu Palácio do Planalto, projetado pelo próprio arquiteto, por iniciativa da presidente Dilma Rousseff, que fez a oferta à família.

No prédio, inaugurado em 21 de abril de 1960, fica o gabinete da presidente Dilma Rousseff. A construção começou em 10 de julho de 1958.

A inauguração do palácio ocorreu em 21 de abril de 1960, como parte das festividades da inauguração de Brasília e marca a história brasileira por simbolizar a transferência da capital federal para o centro do País, no governo de Juscelino Kubitschek.

‘Só falava em viver’
O médico Fernando Gjorup disse, na noite de quarta-feira, que Oscar Niemeyer conversou com a equipe médica sobre a vontade de realizar novos projetos, mesmo aos 104 anos. Segundo ele, o arquiteto só perdeu a consciência pela manhã, após ser sedado. O médico, que cuidou dele por 15 anos, afirmou que Niemeyer pouco falava sobre a saúde.

"Antes dessa internação, ele chegou a conversar com a equipe sobre novos projetos. Ele não gostava de falar sobre a saúde dele, mas sabia que já tinha passado da metade da vida. Ele nunca falou sobre morte, só falava em viver. A equipe médica tinha esperança, mas havia a fragilidade de um senhor de 104 anos", disse Gjorup.

Segundo a equipe médica, o arquiteto apresentou piora progressiva nos últimos dois dias. O arquiteto era submetido a hemodiálise e seu estado imunológico já era deficiente. Cerca de 10 familiares estavam na Unidade Coronariana do hospital quando Niemeyer morreu.

Repercussão
Em nota, a presidente Dilma Rousseff lamentou a morte de Niemeyer e disse que "poucos sonharam tão intensamente e fizeram tantas coisas acontecer como ele". "Niemeyer foi um revolucionário, o mentor de uma nova arquitetura, bonita, lógica e, como ele mesmo definia, inventiva". O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em nota divulgada pelo Instituto Lula, afirmou que Niemeyer "ficará sempre entre nós, presente nas linhas dos edifícios que plantou no Brasil e em todo o mundo".

Dezenas de outros políticos, arquitetos, artistas, apresentadores, jornalistas e personalidades brasileiras se manifestaram sobre a morte de Oscar Niemeyer. (Leia o que familiares, amigos e famosos disseram sobre o arquiteto.)

Histórico de internações
O arquiteto foi internado várias vezes ao longo dos últimos anos. Em 2006, ele teve de ficar no hospital por 11 dias após sofrer uma queda e passar por uma cirurgia.

Em 2009, ficou internado por 24 dias no Hospital Samaritano, entre setembro e outubro, após sentir dores abdominais. Ele chegou a passar por uma cirurgia para retirar um tumor no intestino grosso, uma semana depois de ter sido operado para a retirada de um cálculo na vesícula.

Em junho do mesmo ano, o arquiteto foi internado no hospital Cardiotrauma de Ipanema, também na Zona Sul, queixando-se de dores lombares. Ele passou por uma bateria de exames e recebeu alta médica algumas horas depois. Na ocasião, exames de sangue e uma tomografia indicaram que Niemeyer estava apenas com uma lombalgia.

Em 2010, Niemeyer também foi internado em abril, devido a uma infecção urinária.

Em abril de 2011, o arquiteto ficou internado por 12 dias por causa de infecção urinária. Também já foi submetido a cirurgias para a retirada da vesícula e de um tumor no intestino.

Em maio deste ano, Niemeyer também esteve internado, quando deu entrada com desidratação e pneumonia. Depois de 16 dias, com passagem pela UTI, recebeu alta.

No dia 13 de outubro, o arquiteto deu entrada no Hospital Samaritano após sentir-se mal, apresentando um quadro de desidratação. Ele ficou internado por duas semanas.

A última internação foi em 2 de novembro, quando voltou ao Samaritano, seis dias depois de ter recebido alta. Desta vez, Niemeyer foi submetido a tratamento de hemodiálise e fisioterapia respiratória.

Trabalho para festejar 104 anos
Autor de mais de 600 projetos arquitetônicos, Niemeyer decidiu festejar os seus 104 anos do jeito que mais gostava: trabalhando em seu ateliê de janelas amplas diante da Praia de Copacabana, na Zona Sul do Rio.

Em agosto de 2011, ele lançou o livro "As igrejas de Oscar Niemeyer" (Editora Nosso Caminho), na galeria de um shopping da Zona Sul do Rio.

Embora ateu convicto, o arquiteto selecionou fotos e desenhos das 16 obras religiosas, entre capelas e igrejas, que realizou ao longo de sua carreira.

"As pessoas se espantam pelo fato de, mesmo sendo comunista, me interessar pelas igrejas. E a coisa é tão natural. Eu morava com meus avós, que eram religiosos. Tinha até missa na minha casa. E eu fui criado num clima assim. Esse passado junto da família me deixou com a ideia de que os católicos são bons, que querem melhorar a vida e fazer um mundo melhor", explicou na ocasião.

Destaque na arquitetura mundial
Niemeyer foi um dos arquitetos mais premiados e influentes do mundo. Seu trabalho, sempre cheio de curvas em concreto que tornavam seu estilo inconfundível, marcou a paisagem urbana do Brasil e de outros países.

Dezembro 7, 2012 Posted by | Arquitetura e Urbanismo, jornalismo | , , | Deixe um comentário