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Princesa Tamara Gagarin ou Grã-Duquesa Anastácia Romanov?

por Thiago de Menezes

Existem assuntos fabulosos não esclarecidos que acabam passando para o cenário de lendas urbanas por falta de uma investigação mais científica. Em Poços de Caldas, Minas Gerais, muitos visitantes e turistas ainda costumam prestar homenagens a Anastásia Romanov, ou Princesa Tamara Gagarin, que teria morado na cidade durante exatos 20 anos. A história verdadeira dela é rodeada de incertezas. A Grã-duquesa Anastásia Nikolaevna Romanova da Rússia foi a quarta filha e segunda mais nova do czar Nicolau II e da czarina Alexandra Feodorovna, os últimos governantes autocráticos da Rússia Imperial. Toda a família foi assassinada quando o país deixou de ser uma monarquia e diz a lenda que Anastásia teria escapado e fugido para o Brasil, assim como o irmão. Para a historia mais de 95 anos passados de alguns fatos é apenas um piscar de olhos. É fato que ainda há feridas não cicatrizadas no Rússia e ainda hoje, alguns possíveis familiares Romanov, sentem muito medo em se revelar abertamente. Mas que seria muito interessante saber de quem realmente se tratavam as duas russas sepultadas em Poços de Caldas, não resta dúvida.

Anastacia Romanov, segundo relatos, está enterrada no cemitério municipal de Poços de Caldas, num túmulo com a denominação de "Princesa Tamara Gagarin", conforme notícia vinculada em meados de 2010 na TV regional (EPTV Sul de Minas – afiliada da TV Globo). Esse fato nunca foi novidade e já havia sido citado no programa "Fantástico", também da mesma emissora. A história oficial afirma que Anastacia foi assassinada aos 17 anos em Ekaterinburgo pelos bolcheviques, sendo canonizada pela Igreja Ortodoxa Russa e não apresenta descendência direta. A sua possível sobrevivência foi discutida até 2007 e foi um dos maiores mistérios do século XX. O que se tem de certo é que tudo é muito incerto e não se sabe se é por falta de interesse ou apenas para manter o mistério que ronda a vida e a morte de uma das filhas de Nicolau II.

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A possível sobrevivência de Anastásia foi um dos mistérios mais celebrados do século XX. Em 1922, à medida que se espalhava o rumor de que a Grã-duquesa sobrevivera, uma mulher que mais tarde se autodenominou de Anna Anderson apareceu e alegou ser Anastásia. Ela criou uma controvérsia de uma vida e foi cabeçalho de jornais durante décadas, com alguns parentes sobreviventes a vê-la como Anastásia e outros a vê-la como uma impostora. A sua batalha por reconhecimento continua a ser o caso mais longo alguma vez feito nos tribunais alemães, onde o caso foi oficialmente feito. A decisão final dos tribunais foi que enquanto não se podia provar que Anderson era de fato Anastásia, também não podia ser provado que ela não a era. Anderson morreu em 1984 e o seu corpo foi cremado. Após se terem feitos testes de ADN (DNA) numa amostra de tecido de Anderson, e se terem feito comparações com um descendente da Imperatriz Alexandra, os testes mostraram que Anna não era de fato, Anastásia, mas muito provavelmente Franziska Schanzkowska, uma operária polaca (polonesa) que desaparecera por volta da mesma altura em que Anderson aparecera na Alemanha. Ainda assim, algumas pessoas questionam a validez das amostras testadas. Outra "pretendente", Eugenia Smith, apareceu em 1963, na altura da controvérsia Anastásia/Anna Anderson, mas a sua história tinha inconsistências e ela recusou mais testes. Entretanto a semelhança da Princesa Tamara Gagarin com Anastásia é de se levantar todas as hipóteses que ficaram paradas no tempo.

Nos chama atenção que há quase vinte anos não se voltava ao assunto Anastácia e, sempre que algum interessado retoma ao mesmo surgem informações novas e mais pessoas interessadas. Quem sabe se um dia ainda teremos tais respostas confiáveis e definitivas. As pessoas da região acreditam tanto que se trate dela sepultada na cidade, que a família inteira foi canonizada na Rússia e as pessoas rezam no túmulo, pedem milagres e acreditam recebe-los. Contam as pessoas, que mesmo na velhice Tamara Gagarin ou Anastácia Romanov, que morou numa antiga casa da Rua Santa Catarina, no centro da cidade, não permitia certas intimidades. Por exemplo, se ela pedisse para que a ajudasse a atravessar a rua, um homem não podia tocar no ombro dela. Tinha que por um lenço e tocar no lenço e não na roupa dela. Exatamente como nos bailes antigos que não era permitido sentir nas mãos o calor do corpo feminino, enquanto dançava.

A governanta da casa, condessa Alessandra Tatiev morrera antes e está também sepultada no mesmo túmulo. Essa casa foi doada para um asilo e na velhice ela foi assistida por um asilo de Poços de Caldas. Anastácia tinha ligação sanguínea com a Rainha Victória, por tal motivo a fluência do inglês que ela também lecionava em Poços. Essa condessa Tatiev, que está sepultada junto é outra curiosidade: Tatiev era da família da governanta da mãe de Anastácia. É certo que foi em 1965 que a Princesa Tamara faleceu. E se for, segundo meus cálculos, para que fosse ela a princesa Anastácia ela teria 64 anos na ocasião.

O Assunto é fantástico e atraente. Varias vezes encerrado e reaberto: – Um dos policiais que esteve envolvido na chacina apontou o local onde os corpos foram jogados e queimados. Há incompatibilidade de DNA em dois. Como Alexey seria o sucessor, tem se a impressão que a ideia foi protegê-lo através da fuga. Duas outras crianças filhas de criados estariam no lugar dos filhos quando houve a execução. O encontro de Alexey com a "Tamara" nos anos 60 em Poços de Caldas foi muito interessante, segundo as pessoas que o presenciaram. Está em uma edição da revista ‘O Cruzeiro’. Já na velhice, em uma outra famosa entrevista de Alexey para a revista ‘Manchete’, ele falava da irmã que estava em Poços de Caldas.

Há ainda hoje, em Poços de Caldas, pessoas que foram alunas ou que a conheceram na intimidade. Essas dizem que ela mostrava fotos da família e mostrava o pai, Nicolai Romanov, contando uma historia fantástica da fuga em 1918. É um caso muito curioso e pitoresco, sendo ou não Anastácia. Alguns moradores antigos da cidade disseram que ela gritava coisas estranhas, – fatos de uma época realmente obscura -, e praguejava em russo também. O caso é mesmo muito pitoresco. Mas, há dúvidas que permanecem nas pessoas: – Os pertences destas senhoras ficaram com quem? Não existe nos registros de Poços mais nenhuma foto que não seja a do túmulo? Porque nunca houve interesse do meio político em buscar respostas? Na verdade, as pesquisas para jornalismo diário são bem superficiais. Quase não se faz especialmente no interior, jornalismo investigativo e, até o que podemos chamar de jornalismo científico. Já foram, algumas vezes, publicadas fotos do túmulo e é de se observar que a pessoa adulta que está na foto tem bastante semelhança com a criança Anastácia. Acredito que só DNA mesmo para por todos os fios soltos e ideias de final. E essa prova de DNA seria feita com uma do irmão Alexey que está sepultado no Mato Grosso, uma de Poços de Caldas e outras da Rússia e ainda Inglaterra com a família da Rainha Victoria.

Anastásia tinha uma personalidade diferente das de suas femininas e bem-comportadas irmãs. Ela teria se tornado a mais bonita das irmãs se tivesse vivido mais tempo. As suas feições eram regulares e bem delineadas. Tinha um cabelo bonito, olhos bonitos e vivos como se tivessem sempre um sorriso brincalhão escondido nas suas profundidades, e sobrancelhas negras que quase se juntavam. Tudo isto combinado, tornava a Grã-Duquesa mais nova diferente de todas as irmãs. Ela tinha um aspecto próprio e parecia-se mais com a família da mãe do que com a do pai. Era muito baixa, mesmo aos 17 anos e, na sua altura, um pouco gorda, gordura da adolescência.

Assim como a lenda urbana da Grã-Duquesa Anastácia, há outros grandes enigmas que envolvem a historia de Poços de Caldas. Imaginem que existe um cônsul sepultado na região, em um cemitério de escravos. Também existe a história fabulosa de um príncipe francês que fugiu com o lastro do tesouro imperial e comprou muitas terras no Brasil, inclusive, numa grande faixa entre Campestre, Botelhos, Poços de Caldas, São Paulo e Goiás, que em 2013 ainda estaria em mãos de afortunadas famílias, enquanto os verdadeiros donos estão pobres. Imagino que o irmão do Conde Prates, se apaixonou por uma escrava e quis se casar legalmente, mesmo sendo deserdado pela família. O mesmo abriu mão da herança e realmente se casou com a moça. Familiares residem ainda em Poços de Caldas, como pude comprovar. Entretanto, houve um oficial nazista que morava há vários anos no Palace Hotel (meu preferido para hospedagens), onde teria se "suicidado" na primeira metade da década de 2000. E foi fuçando essa história que descobri que o famoso médico nazista dr. Joseph Menguele, morou em Poços de Caldas e teve negócios na cidade.

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Thiago de Menezes* – Escritor e jornalista paulista, presidente da “FALASP – Federação das Academias de Letras e Artes do Estado de São Paulo” e da “Academia de Letras da Mantiqueira”, de Águas de Lindóia, SP. Membro da “Academia Poços-Caldense de Letras”, de Poços de Caldas, MG.

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Maio 3, 2013 Posted by | jornalismo, literatura | , , , | 3 comentários

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Maio 3, 2013 Posted by | cursos, jornalismo | , | Deixe um comentário