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Surgimento da Rádio Rebelde – Resposta à Manipulação da Mídia de Massa.

Artigo de Maria Goreth Nagime

Maria Goretti Nagine 90 anos de Fidel“Neste ano tive a grande honra de ser convidada a escrever para um livro histórico pelos 90 anos de Fidel, com artigos de autores de todo o mundo. Honra ainda maior por ter sido um projeto de Marília Guimarães e por assinar junto ao maior jurista brasileiro, Juarez Tavares. Esta honra não cabe no meu coração. Hoje reli meu primeiro rascunho do artigo do livro e resolvi postar. Espero que gostem.” Maria Goreth Nagine

90 Surgimento da Rádio Rebelde

Cada ser humano vítima de abuso ou exploração reflete em sua força e sensibilidade os incidentes que sofreu. A cicatriz e a resistência são beleza e motivo de orgulho. Da mesma forma, um país vítima de abuso e exploração tem sua beleza maior em sua história de resistência.

No “Território de Cuba Livre da Sierra Maestra”, em 1958, surgiu a Rádio Rebelde. Era um sistema próprio de rádio-difusão dos guerrilheiros.

A mídia convencional chamava as tropas de Fidel Castro de “bandidos insignificantes” e alardeava falsas vitórias do exército oficial sobre as forças rebeldes. Os cubanos não se identificavam ideologicamente e não acreditavam nas falsas notícias. Então simplesmente viravam o dial de seus rádios para sintonizar a Rádio Rebelde e terem informações sem censura.

Quase sessenta anos se passaram e a estrutura da mídia convencional é semelhante. A serviço do capital, a mídia de massa divide os países e líderes mundiais entre amigos e inimigos. Os amigos da mídia são os amigos das elites, das desigualdades, dos setores historicamente privilegiados. Setores que só pensam em sua rentabilidade e não no futuro da sociedade.

Os inimigos da mídia são os grandes líderes com a mensagem de não-submissão. Líderes que se justificam ao emancipar e dar poder a seus seguidores. Os governantes que se identificam com os governados.

“Como um seguidor de Martí, penso que chegou a hora de assumir os próprios direitos, não de pedi-los; conquista-los, não implorar por eles. De tais viagens, ou não se tem retorno, ou se retorna com a tirania decapitada aos pés.” Assim disse Fidel pouco antes da revolução vitoriosa. Um novo tempo chegava depois dos tantos anos de submissão em que os Estados Unidos frequentemente enviavam tropas para reprimir revoltas e assegurar lealdade cubana aos interesses norte-americanos. Também controlavam Cuba diretamente, através de seus representantes, o que incluiu reconhecer Batista – que atendia aos interesses norte-americanos – como presidente legítimo após um Golpe.

Depois da vitória, a importância de continuar a tradição anticolonialista de Jose Martí atravessou fronteiras. Cuba foi transformada em uma oferta de esperança aos revolucionários e Fidel foi reconhecido como porta-voz. Em um discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas, Che Guevara ofereceu o apoio de Cuba para as lutas de libertação do Terceiro Mundo.

Surgiu uma nova onda de representantes de esquerda na América do Sul, impulsionados pelos movimentos sociais. A política predatória dos Estados Unidos desencadeou ali também a resistência: era necessário recuperar a autonomia e os recursos naturais. E essas representações latinas se tornaram uma ameaça tão grande ao sistema quanto Fidel Castro.

Mas as antigas oligarquias defendem seus privilégios. Sua principal arma novamente é a manipulação produzida pela mídia de massa.

Milhões são gastos todos os dias em programas em que a mídia criminaliza a luta contra o neoliberalismo, colonialismo e imperialismo. Ficam claros os duplos padrões políticos quanto a conceitos de Democracia e Direitos Humanos dependendo dos interesses em explorar petróleo, terras e recursos naturais do país de que se fala. Quanto mais resistente em entregar os recursos, pior se fala da administração do país. O objetivo da imprensa é a alienação do cidadão. E muitas vezes as mentiras prevalecem até serem desmentidas pela História.

Na Venezuela, após um Golpe de Estado, os golpistas agradeceram publicamente à imprensa pela ajuda no Golpe. No Equador, quando o presidente foi perguntado sobre o que acha de a imprensa dos Estados Unidos tratá-lo como inimigo, respondeu: “Conhecendo a imprensa Norte-Americana, eu estaria mais preocupado se falassem bem de mim”.

A manipulação interessa aos setores que não tem como prioridade o bem estar de todos os humanos. Querem a permanência das diferenças sociais porque lhes favorecem. Mas de forma curiosa e paralela, contrariando todos os altíssimos investimentos em manipulação, uma nova forma de pensamento, pautada na igualdade social, surgiu e disseminou-se na América Latina.

Na Bolívia, Equador, Venezuela, Paraguai e Brasil toda a mídia de massa foi completamente hostil aos candidatos simpáticos ao ideal de libertação de Simon Bolívar. Mesmo assim os candidatos à esquerda venceram as eleições presidenciais. Tudo indica que não há como parar o ideal revolucionário. “Tentaram nos enterrar, mas não sabiam que éramos sementes”.

Fidel Castro é reconhecido como precursor. Em um encontro de líderes do hemisfério em Trinidad, por exemplo, a maioria dos sul-americanos recusou-se a assinar qualquer documento na ausência de Cuba. A mídia de massa, é claro, não viu com bons olhos. De nada adianta. A cultura de não-submissão cresce cada vez mais a cada dia, como se cada cidadão estivesse em Cuba em 1958, incrédulo com a manipulação da imprensa, trocando o dial de seu rádio para ouvir a Rádio Rebelde.

Novembro 30, 2016 - Posted by | cultura, jornalismo, literatura | , ,

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