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Educar pode ser um ato de transformação pessoal e do mundo

Sandra Gurgel 

Sandra Gurgel, educadora, com um percurso profissional na educação publica e em movimentos sociais, busca sintetizar esta frase na prática. Seu olhar fala desta história, mas faz também fazendo ponte com o afeto.

Há alguns anos tem enfatizado seu trabalho através de ações voltadas para uma abordagem que leve em conta a desigualdades social e racial brasileira. A aplicação da Lei n º 10.639/03, que determina a obrigatoriedade do ensino da história do negro e da África nos estabelecimentos de ensino, que têm tido imensas dificuldades de aplicação. É seu campo de trabalho, mas que tem conseguido propor ações efetivas com leveza e poesia. E é com esta marca que tem realizado palestras, aulas em pós-graduação, encontros de mulheres, oficinas e mesmo reuniões de equipe pelas quais passou.

Recentemente desenvolveu um projeto intitulado Afroencantamento. A proposta foi levar livros às escolas e através de histórias de nosso povo negro e de Áfricas, realizar uma tarefa ao mesmo tempo simples e extremamente difícil: reencantar o mundo. Através deste trabalho surgiram iniciativas, desenvolvidas pelas escolas, de uma imensa diversidade. Desde um grupo de crianças vestidos como Jackson Five, a uma escola que propôs uma viagem à África, usando a imaginação é claro, mas fazendo “passaportes” para as crianças além de uma simulação de uma viagem de avião ao mais antigo continente. A África, a partir de então, era na escola.

A simplicidade e com que provoca este encontro com nosso passado africano, no entanto passa também pela complexidade. São estes caminhos que a levaram a realizar seu Mestrado em um campo ainda pouco conhecido, mas emergente: a Ciência da Religião, cursado na PUC São Paulo. Neste espaço pode falar também de sua história pessoal, onde social, religioso e politico se fizeram presentes. Sem esquecer a afetividade, mas com uma proposta de pensar a cosmovisão africana como contribuição epistêmica para o enfrentamento do racismo.

Este percurso permitiu a esta moradora de nossa cidade e alçar voos que ainda a surpreendem. Em fins de maio estará em Lisboa, Portugal, para apresentar suas pesquisas no 2º Congresso Lusófono de Ciências da Religião, que este ano tem o tema: História, Memórias, Narrativas – Ruturas, Violências, Fundamentalismos e Revoluções. Neste evento coordenará um Simpósio Temático: Narrativas Transgressoras: Religião, Literatura e Educação na Perspectiva da Mulher Negra. Porém, dada a importância do tema, a organização acadêmica a convidou para coordenar e também compor uma Mesa Temática intitulada Narrativas do Cotidiano: a religiosidade negra, história, educação, racismo e violência.

Ainda este ano também estará lançando em junho seu primeiro livro.

Enfim, ao que parece Sandra Gurgel ainda tem muito a colaborar, com um folego de quem começa, após o percurso de uma vida profissional produtiva e promissora. Sandra, atua em nossa rede de ensino realizando aulas, palestras e contação de histórias, dialogando com crianças e colegas para superar as dores e efeitos do racismo no ensino, ao mesmo tempo em que busca reencantar a vida.

Maio 8, 2017 Posted by | Educação, literatura, projeto educacional | , , | Deixe um comentário