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Separados por disputa judicial, herdeiros de Niemeyer prestam homenagem ao arquiteto

Institucional | O Globo Online | BR


Projeto de restaurante na Lagoa é um dos inéditos da mostra que começa hoje no Paço Imperial: iniciativa da fundação gerida pela neta – Divulgação

Projeto de Niemeyer para o Maracanã ficou em segundo lugar em concurso – Divulgação

Mostra no Paço Imperial reúne projetos clássicos e inéditos, enquanto revista traz textos jamais publicados

RIO – O escritório de Oscar Niemeyer na praia de Copacabana está do jeito que ele deixou ao morrer, em dezembro de 2012. As obras completas de Eça de Queirós e as centenas de livros fazem companhia ao busto de Lênin e à caixinha de música que tocava a Internacional Socialista, entre outros objetos repletos de lembranças. Apesar de brigarem na Justiça pela empresa e por outros bens deixados pelo arquiteto, os herdeiros agora tomam a iniciativa – separadamente, diga-se – de homenagear a memória de Niemeyer. Assim, velhos objetos, desejos interrompidos, projetos não concretizados e papéis nas gavetas voltam à tona.

Uma das novidades é o retorno da revista "Nosso Caminho", que Niemeyer editava com Vera, sua mulher. Já hospitalizado, pouco antes de morrer, ele discutia com ela como ficaria a edição que estava prestes a sair – e que acabou sendo guardada. Só depois de quase dois anos de luto, Vera volta à publicação, que traz projetos e textos inéditos deixados pelo arquiteto. A ideia, a partir de agora, é lançar duas edições por ano.

– Precisei esperar esse tempo para conseguir mexer na revista novamente. Mas está tudo do jeito que ele queria – afirma Vera Niemeyer.

Ela conta que o marido escrevia tudo à mão e não gostava de palavra difícil. Niemeyer, diz Vera, buscava a simplicidade em seus textos. Os escritos inéditos vão das lembranças da primeira visita ao local onde Brasília seria construída às recordações de suas viagens de carro ao Planalto Central, quando olhava para as nuvens e via nelas catedrais enormes, guerreiros romanos, monstros desconhecidos – e mulheres, é claro. Entre os projetos não construídos, a "Nossa Caminho" traz centros culturais em Foz do Iguaçu e no Marrocos, além da sede de uma empresa e um parque aquático na Alemanha.

CONCURSO PARA A CONSTRUÇÃO DO MARACANÃ

A segunda homenagem ao arquiteto surge por iniciativa de outra parte da família.

A Fundação Oscar Niemeyer, cuja diretora executiva é Ana Lúcia, sua neta, inaugura hoje no Paço Imperial, para convidados, a exposição "Oscar Niemeyer – Clássicos e inéditos", que já passou por São Paulo e é produzida pelo Itaú Cultural. Com curadoria de Lauro Cavalcanti, diretor do Paço, e projeto cênico de Pedro Mendes da Rocha, a exposição nasceu da descoberta, pelo professor Fares El Dahdah, da Rice University, de cadernos guardados pela fundação, com projetos que não chegaram a ser realizados.

– Em geral, eles não foram construídos por conta da desistência de clientes, por motivos financeiros ou políticos, como trocas de governo, no caso das obras públicas – afirma Cavalcanti.

Entre os inéditos, está o desenho "Estádio Olímpico Nacional" (1941), que tirou o segundo lugar no concurso para a construção do Maracanã. Também há um conjunto de restaurante e espaços públicos na Lagoa Rodrigo de Freitas (1944), que ficaria em frente ao Cantagalo, e uma casa de praia que ele projetou para si mesmo, em Maricá. A exposição reúne ainda as residências de Oswald de Andrade (1938) e de Sérgio Buarque de Holanda (1953). Outro inédito é o projeto para a cidade de Negev, em Israel (1964), feito apenas três anos depois de Brasília e cuja ideia era permitir que todas as distâncias do local fossem percorridas a pé. Para a mostra, foram produzidas maquetes de alguns desses projetos.

– A ideia era fazer uma primeira exposição póstuma apenas com esses desenhos, mas também pensei que não seria justo sonegar, de uma pessoa que não conhecesse Niemeyer, informações sobre a grande obra que ele produziu – afirma Cavalcanti.

Por isso, a exposição traz uma linha do tempo que começa em 1936, com o prédio do Ministério da Educação e Cultura, no Rio, e termina em 2011, com o Centro Cultural Oscar Niemeyer, em Avilés, na Espanha (2006/2011). Construções como o Conjunto Arquitetônico da Pampulha e os monumentos de Brasília, é claro, também ganham seu espaço. Assim, a mostra apresenta, com fotos, desenhos e detalhamento de cada projeto, a vasta obra do fundador da moderna arquitetura brasileira.

– Esta não é uma exposição apenas para arquitetos ou estudantes de Arquitetura – ressalta Cavalcanti. – É para o público amplo. A arquitetura não é uma coisa obscura, é algo fluido, para ser desfrutada pelas pessoas. Faz parte da vida de todo mundo.

Uma das grandes atrações da mostra é uma bobina de papel de 12,5 metros. Nela, o arquiteto demonstrou seu método de trabalho para o filme "Oscar Niemeyer – O filho da estrela" (2001), de Henri Raillard, que é exibido na exposição. Também será projetado "Oscar Niemeyer – A vida é um sopro" (2007), de Fabiano Maciel.

Outra curiosidade fica por conta de um desenho feito pelo arquiteto em 1975, a pedido de uma publicação soviética, sobre a cidade do futuro. Lauro Cavalcanti lembra que Niemeyer não era muito dado a esse tipo de previsão, mas, "talvez por ser um pedido da URSS", criou uma cidade com habitações subaquáticas, novos transportes aéreos e aprendizado durante o sono. Nessa fantasia futurista, ninguém precisaria frequentar universidade, e as árvores cresceriam em questão de minutos.

ESCRITORIO EM BRASÍLIA NÃO FUNCIONA MAIS

As duas homenagens ilustram uma família dividida. De um lado, alguns dos netos e a Fundação Oscar Niemeyer; do outro, Vera Niemeyer e o escritório. Ao todo, são cinco herdeiros, representados por diferentes escritórios de advocacia. Vera, aliás, acaba de ser nomeada pela Justiça a inventariante do espólio do arquiteto. Isso quer dizer que, além de ser responsável pelo andamento legal do processo, ela se transformou na gestora da herança enquanto o processo do inventário durar.

Com essa mudança, o escritório do Rio de Janeiro, diz a viúva, passa a ser o único autorizado a negociar projetos de Oscar Niemeyer que ainda estejam em andamento. O escritório que o arquiteto chegou a ter em Brasília, portanto, não funciona mais. Entre os bens do inventário, estão ainda uma fazenda em Maricá, um apartamento no Rio e a Casa das Canoas, em São Conrado, que precisa de reforma.

– O Oscar não era uma pessoa mercenária, e acho que isso tem que ser respeitado durante esse processo. Acho que os herdeiros precisam respeitar os princípios dele – afirma Vera. – Nós temos conhecimento, de outros artistas, que muita coisa acontece após a morte, a obra não é respeitada conforme sua vontade. A coisa toma caminhos diferentes.

Desde 2006, quando o arquiteto caiu em casa, fraturou o fêmur e sua saúde se deteriorou, havia boatos de que Niemeyer não desenhava mais e apenas assinava os projetos. Vera nega.

– Ele desenhava, sim. O Jair Valera (arquiteto que trabalhou por 30 anos com Niemeyer) entendia nos mínimos detalhes o que o Oscar queria – defende. – Ele via o que Oscar queria, desenvolvia e mostrava para ele ver se era aquilo mesmo. Quando não era, o Oscar rasgava.

Enquanto a briga judicial não se resolve, a companheira de Niemeyer desde os anos 1970 diz que não tira um objeto do escritório do lugar. Vera calcula que tenha mais de cem textos inéditos do arquiteto e, agora que conseguiu finalmente mexer na papelada, quer levar outros projetos adiante.

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Agosto 14, 2014 Posted by | Arquitetura, Arquitetura e Urbanismo, construção civil, Exposições, jornalismo, Lazer, projeto cultural, social | | Deixe um comentário

Maricá terá Aquário Público projetado por Oscar Niemeyer

oscar niemeyer 006 Esta foto mostra Oscar Niemeyer no auge dos seus 100 anos (in memorian) e sua neta Ana Elisa (dir),  durante a reunião com o Prefeito de Maricá Washington Quaquá, e a primeira dama Rosangela Zeidan, um encontro que marcou o início do projeto com o arquiteto Oscar Niemeyer na foto esq. a jornalista Catarine Monnerat; Zeidan, com a Revista Maricá Já. (foto de arquivo)

Complexo turístico de Maricá projetado por Niemeyer tem projeto finalizado, outro projeto do arquiteto é a Casa de Darcy Ribeiro, localizada no bairro de Corderinho, foi um presente do mestre dos arquitetos para Darcy (in memorian)

Texto: Marcelo Moreira | Fotos: Divulgação: Instituto Oscar Niemeyer

Um dos croquis mostra como ficará a torre panorâmica, que será aberta a visitação.

 Aquário público, centro de pesquisas da biodiversidade marinha e torre panorâmica vão transformar a região litorânea da cidade

Está pronto o projeto final do complexo arquitetônico projetado por Niemeyer e que será construído pela Prefeitura em Barra de Maricá, na região litorânea da cidade. Os documentos – entre eles as plantas e o memorial descritivo com os dados técnicos das futuras instalações – foram entregues na quarta-feira (05/12) pelo Instituto Oscar Niemeyer ao prefeito Washington Quaquá.

O empreendimento, fruto de um dos últimos desenhos do arquiteto, que morreu em dezembro de 2012, ocupará uma área de 63.400 metros quadrados e terá um aquário público com espécies marinhas e de água doce, um centro de pesquisas, uma torre circular panorâmica com vista para o mar, um auditório, salas de exposição e um anfiteatro com capacidade prevista para 800 pessoas, além de três espelhos d’água. No encontro com o prefeito, o bisneto de Niemeyer, Paulo Sérgio Niemeyer, apresentou os traços finais da obra que será erguida em Maricá e cujo projeto final é assinado por ele.

Com a entrega das especificações definidas pelo instituto e descritas nos documentos e plantas arquitetônicas, o governo municipal poderá dar início à preparação do edital de licitação para a construção do complexo. “Vamos nos debruçar agora nos detalhes da licitação e contaremos com o auxílio da secretaria municipal de Obras”, informou o secretário executivo da prefeitura, Márcio Leite. 

"Estamos realizando um sonho que é o município ter uma grande obra do maior arquiteto da história, que além de tudo é originário de Maricá", comemorou o prefeito Washington Quaquá. "O complexo com aquário, teatro e torre vai impulsionar o turismo e se transformar em um ícone da cidade", completou o prefeito. 

Gênio das formas em concreto, Niemeyer deixará mais um legado para o turismo, num espetáculo grandioso que consumirá 15 mil metros cúbicos de concreto. Segundo o instituto, o centro de pesquisas da biodiversidade marinha e o aquário público com tanques para visitação terão quatro pavimentos cada, incluindo subsolo e cobertura. O aquário, um prédio circular com cúpula em concreto, terá acesso à torre panorâmica com 63 metros de altura, de onde os visitantes poderão apreciar a vista para o mar da Barra e o complexo lagunar de Maricá.

O superintendente do Instituto Oscar Niemeyer de Projetos e Pesquisas e responsável pelo acompanhamento da empreitada, João Batista de Morais Júnior, destaca o papel que o futuro centro de pesquisas terá para os pescadores locais. “Haverá estudos sobre a pesca na região, o que dará ao complexo uma função social importante, sem contar no impacto visual belíssimo de todo o projeto”, declarou João, acrescentando que a expectativa é promover palestras e cursos profissionalizantes no auditório que compõe o complexo.

Dezembro 13, 2013 Posted by | Arquitetura, Lazer, Maricá, turismo | , | Deixe um comentário