Noticiário RJ on line

As melhores notícias com Rosely Pellegrino

Marina não turbinou a bancada de deputados do PV

Fonte: Com Marina

Só mais um blog do Colunas.epoca.globo.com

 

4:46 | ter , 5/10/2010 Mariana SanchesEleição Tags: deputados, José Luiz Penna, legenda, PV, Ricardo Izar, Roberto de Lucena, Roberto Santiago e Sinval Malheiros

Uma das expectativas dos dirigentes do PV ao convidar Marina Silva para entrar no partido era a de que ela provocasse uma enxurrada de votos em legenda e ajudasse o PV a fazer ao menos 25 deputados federais – o que o incluiria na lista de partidos médios, junto com PDT (que fez 28 deputados) e PSB (34 deputados). Em 2006, o partido conseguiu eleger apenas 13 deputados. Esse ano, Marina Silva surgia nas telas de TV sorrindo e pedindo votos nos deputados do partido. A estratégia dos verdes, no entanto, não deu certo. Agora, O PV fez só 15 parlamentares. 

Em São Paulo, isso rendeu ao PV 438 mil votos em legenda. É pouco. Para se eleger em São Paulo, o candidato precisava de pelo menos 304.533 votos. Logo, se contasse apenas com os votos da legenda, o PV teria eleito apenas um deputado no estado.

Em São Paulo, o PV conseguiu eleger seis nomes. Nenhum dos candidatos do partido, no entanto, teve mais do que 100 mil votos individualmente. As seis vagas garantidas na Câmara Federal por São Paulo são resultado do alto número de candidatos que o PV lançou no estado. Os 87 postulantes do PV conseguiram somar 1,7 milhão de votos. Um dos que contribuiu para aumentar o número de deputados do PV mas não se elegeu foi Luciano Zica. Zica veio do PT para o PV na mesma onda que trouxe Marina. Deputado veterano, sua eleição agora era dada como certa. Em vez de Zica, os seis eleitos são quadros tradicionais do PV ligados à administração tucana e kassabista em São Paulo. São eles: Ricardo Izar, José Luiz Penna, Roberto de Lucena, Roberto Santiago e Sinval Malheiros.

Por Mariana Sanches e Victor Ferreira

Anúncios

Outubro 6, 2010 Posted by | Brasil - Eleições 2010, Campanha Eleições 2010, eleições, Eleições 2010, jornalismo, política, SEGUNDO TURNO ELEIÇÕES 2010 | Deixe um comentário

Marina perdeu ganhando

Com uma campanha que misturou ecologia e fé, Marina sai da eleição maior do que entrou

Fonte: Epoca – Mariana Sanches

Com 19,5% dos votos válidos, Marina terminou a eleição presidencial em terceiro lugar, mas sai das urnas como uma liderança política nova e promissora. O porcentual de votos válidos de Marina é, entre os terceiros colocados, o maior em todas as eleições presidenciais realizadas desde a redemocratização. Ela superou o desempenho de Heloisa Helena, em 2006, Anthony Garotinho, em 2002, Ciro Gomes, em 1998, Enéas Carneiro, em 1994, e Leonel Brizola, em 1989. Sua votação foi superior inclusive à de Lula em 1989, que passou para o segundo turno contra Fernando Collor com 16% dos votos válidos.

O resultado, “excepcional”, segundo o cientista político André Singer, da Universidade de São Paulo (USP), a credencia a liderar uma nova força política de oposição. “Marina percebeu, antes de todos, a existência de um espaço na política e se colocou nele”, diz Singer. “Esse resultado eleitoral permite que ela inicie um trabalho de longo prazo, de organizar uma base social em torno de seu projeto.”

Marina conseguiu essa façanha depois de um longo calvário no governo Lula. À frente da pasta de Meio Ambiente, ela perdeu disputas e prestígio para a então ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. As rusgas a levaram a deixar o PT, partido que ajudou a fundar. Cortejada pelo Partido Verde, que enxergou em Marina a possibilidade de superar a condição de nanico, ela resolveu lançar-se à disputa presidencial. Na campanha, defendeu uma agenda que mistura a preservação do meio ambiente com críticas ao “desenvolvimentismo”. É o tipo de discurso político que encontra mais fácil aceitação em países escandinavos, com alto índice de desenvolvimento humano. Mesmo lá, onde as preocupações com o estômago não costumam se sobrepor às demais, políticos “pós-materialistas” sofreram revés depois que o mundo foi sacudido pela crise econômica de 2008.

Em um país com 15% de pobres na população, segundo cálculo da Fundação Getúlio Vargas, Marina ousou defender a interrupção de obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em favor do meio ambiente e a instalação de placas solares nos tetos das casas populares. Isso torna seu sucesso eleitoral um caso ainda mais singular – que pode também estar relacionado ao perfil religioso de Marina. “A Marina é uma mistura de ecologismo com fé na Assembleia de Deus. Ela não é bem um personagem pós-moderno europeu. É um fenômeno peculiar”, diz o cientista político Jairo Nicolau, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro.

Época

A CANDIDATA
Marina Silva em frente ao Congresso, em foto tirada em maio

Marina superou sérias limitações para fazer campanha. O PV é um partido pequeno, sem democracia interna, muito desigual regionalmente e dirigido há mais de dez anos por José Luiz de França Penna, cujo cargo político mais relevante foi o de vereador em São Paulo. Marina disse que preferia estar só a ser incoerente e, por isso, optou por não fazer coligações nacionais. Isso deu a ela exíguos 83 segundos de propaganda eleitoral gratuita na TV. Marina estava mais próxima às condições de competição do nanico Plínio de Arruda, do PSOL, do que de seus principais adversários. Dilma Rousseff teve o equivalente a 7,5 vezes o tempo de TV de Marina. O tucano José Serra teve cinco vezes mais tempo. Mesmo na internet, a campanha de Marina enfrentou problemas. Nos dias que antecederam a eleição, o site do PV ficou fora do ar porque a quantidade de acessos era superior a sua capacidade.

Saiba mais

Marina também não pôde contar com palanques estaduais. O PV lançou 11 candidatos a governador. Mas, exceto por Fernando Gabeira, no Rio de Janeiro, nenhum deles conseguiu mais que 2% nas pesquisas (nas urnas, o desempenho foi um pouco melhor. Fábio Feldmann em São Paulo, por exemplo, obteve pouco mais de 4% dos votos). No Rio de Janeiro, Marina obteve índices superiores aos de Gabeira. Lá, ela teve 31% dos votos. Gabeira, 20%. Logicamente, se alguém era ajudado quando ambos subiam ao palanque, esse alguém era Gabeira.

O resultado de Marina surpreendeu até mesmo os velhos caciques do PV, que achavam que sua campanha serviria basicamente para dar uma turbinada na magra bancada na Câmara (o partido tinha 15 deputados na última legislatura). O futuro político de Marina dependerá agora de sua capacidade de reformar e expandir o PV. O partido, na avaliação de alguns dos integrantes, tem uma imagem boa junto aos eleitores, a despeito de sua estrutura e comando frágeis.

Para conseguir mais espaço na política nacional, Marina precisará também ampliar sua base para outros grupos sociais. Nesta campanha, ela conseguiu, predominantemente, votos na classe média urbana, conectada à internet e jovem. O perfil religioso e a origem pobre de Marina podem facilitar a conquista de outras fatias do eleitorado. Entre agosto e setembro, as intenções de voto em Marina entre os evangélicos cresceram 7 pontos. É um sinal de que Marina tem potencial para expandir seu eleitorado. Se ela conseguir pintar de verde grotões e favelas, Marina, em outras eleições, poderá ser mais que uma terceira via.

>> Mais informações sobre a campanha de Marina no blog Com Marina

Outubro 6, 2010 Posted by | Brasil - Eleições 2010, Campanha Eleições 2010, eleições, Eleições 2010, jornalismo, política, SEGUNDO TURNO ELEIÇÕES 2010 | Deixe um comentário

Lula organiza a tropa para ir atrás de Marina

Aproximação do eleitorado de Marina e da própria senadora são prioridade para Lula. Aliados do PT devem dialogar mais com a ex-candidata

Redação Época, com Agência Estado

Saiba mais

Diante da incerteza de apoio da senadora Marina Silva (PV) à Dilma Rousseff no segundo turno das eleições, o presidente Lula e seis governadores aliados avaliaram nesta terça-feira (5) que a campanha da petista deve ir atrás do eleitorado da ex-candidata de forma rápida. Em reunião pela manhã no Palácio da Alvorada, o grupo deixou claro que vai orientar os aliados que têm boa relação com Marina a intensificar as conversas com a senadora, reconhecida como figura importante no jogo sucessório.
"A campanha tem de dialogar com o eleitor dela", afirmou o senador e governador eleito do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), um dos participantes do encontro. "Todos que conhecerem a Marina precisam procurá-la. A própria Dilma tem bom contato com ela". Casagrande relatou que o grupo avalia que a campanha de Dilma não pode ficar refém de temas religiosos, como a discussão sobre o aborto.
A candidata, segundo o senador, deve reafirmar sempre sua posição sobre o assunto, mas tem de centrar no projeto político do presidente Lula. No primeiro turno das eleições, Dilma se reuniu com representantes de igrejas evangélicas para dizer que era contra o debate sobre o plebiscito para liberar a interrupção da gravidez. "É preciso deixar claro que a disputa é de projeto político", afirmou Casagrande. "Dilma não pode ficar presa a um tema religioso, ela tem de tocar a vida".
Lula não tem "perspectiva" de se afastar do governo para entrar de corpo e alma na campanha, como sugerem aliados como o governador do Ceará, Cid Gomes (PSB). A tendência é o presidente continuar suas viagens pelo país, inaugurando obras e participando de comícios de aliados, com ou sem a presença de Dilma. Renato Casagrande relatou que Lula está "muito" animado e voltou a pedir empenho na campanha. "O presidente e o grupo avaliam que Dilma tem que aproveitar a oportunidade para apresentar o seu projeto político", disse o senador. "É preciso ir para as ruas".
Também participaram do encontro o governador eleito do Rio Grande do Sul, Tarso Genro (PT), e os governadores reeleitos Omar Aziz (PMN-Amazonas), Marcelo Déda (PT-Sergipe) e Eduardo Campos (PSB-Pernambuco). Ainda estiveram no Palácio os deputados Ciro Gomes (PSB-CE), Armando Monteiro (PTB-PE) e Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), o governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB), e os senadores Paulo Paim (PT-RS), Edison Lobão (PMDB-MA), Epitácio Cafeteira (PTB-MA), Renan Calheiros (PMDB-AL), Valdir Raupp (RO), Delcídio Amaral (PT-MS) e Cristovam Buarque (PT-DF).
Na segunda-feira (4), após se reunir com Dilma, em Brasília, o governador reeleito da Bahia, Jaques Wagner (PT), disse em entrevista que a campanha petista tinha de buscar o eleitorado de Marina e reforçar as semelhanças entre os projetos do PT e do PV. "As trilhas e caminhos da Marina estão muito mais próximos das trilhas (de Dilma) do que dos do outro candidato", avaliou o governador, referindo-se ao adversário tucano José Serra.

Outubro 6, 2010 Posted by | Brasil - Eleições 2010, Campanha Eleições 2010, Eleições 2010, jornalismo, política, SEGUNDO TURNO ELEIÇÕES 2010 | Deixe um comentário