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As melhores notícias com Rosely Pellegrino

Deputada Zeidan comemora Dia Mundial da Luta Contra a Violência aos Idosos dançando com elas na Praça de Maricá

Na manhã, desta quarta-feira, 14 de junho, foi enfatizado o Dia Mundial de Combate à Violência contra a Pessoa Idosa, a Secretaria Municipal de Política para o Idoso, realizou um ato com várias atividades na Praça Conselheiro Macedo Soares, que contou com a presença e participação da madrinha do projeto Deputada Estadual Zeidan.

Deputada Estadual Zeidan e o Vereador Tatai

Deputada Zeidan participa do Dia de Combate a Violência contra o IdosoDeputada Zeidan participa da dança cigana da Casa da Melhor Idade, no Dia de Combate a Violência contra o Idoso em Maricá

Deputada Zeidan participa da dança cigana no Dia de Combate a Violência contra o Idoso

Deputada Zeidan participa da dança cigana no Dia de Combate a Violência contra o Idoso em Maricá

Emocionada a deputada falou sobre o evento e sobre o cuidado do governo para com os idosos do Município de Maricá.

“Hoje comemoramos o dia de luta contra a violência aos idosos! Maricá se destaca no trabalho com os idosos onde temos mais de 5 mil idosos participando de muitas atividades! Como madrinha da secretaria do idoso em Maricá só tenho que agradecer ao belíssimo trabalho da secretária municipal de Política para o Idoso, Lezirée Figueiredo e toda a equipe e ao vereador Tatai que assumiu essa causa.
Hoje os nossos idosos e idosas tem aulas de dança que fiz questão de por na programação não só a dança de salão mas a dança cigana e a dança árabe. Temos hidroginástica, massoterapia, podólogo, aulas de artesanato, cabelereiro e manicure etc. Tenho muito orgulho de aprender com todas vocês o verdadeiro sentido da vida e de como devemos aproveitar a graça que Deus nos dá com alegria, cuidando de nossa saúde e amando o próximo! Vocês me emocionam parabéns!!!” Deputada Estadual Rosangela Zeidan

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Junho 14, 2017 Posted by | jornalismo, Lazer, Maricá | , , , , , | Deixe um comentário

Adido de Imprensa Thiago de Menezes recebe Comenda Cruz do Mérito Acadêmico e Profissional

O jornalista de turismo e adido de imprensa Thiago de Menezes recebeu a Comenda Cruz do Mérito Acadêmico e Profissional, na Área de Comunicação, outorgada pela Câmara Brasileira de Cultura, na noite de sábado, dia 20 de maio de 2017, em tradicional solenidade cívica com jantar no Salão Nobre do Clube Português, Rua Turiassú nº 59 – Perdizes, São Paulo – SP, quando foram outorgadas Honrarias oficializadas, Comendas e Prêmios reconhecidos, homenageando personalidades dos mundos empresarial, cultural, consular e artísticos ligados à causa acadêmica. Menezes integra o quadro social da ACONBRAS – Associação dos Cônsules no Brasil, tendo prestado serviços a muitas repartições consulares, destacando-se as do Suriname, da Guiné Bissau, da República Democrática do Congo, creditadas no Brasil.

A Câmara Brasileira de Cultura – CBC, fundada em 1987 e sediada em São Paulo, é uma organização não governamental brasileira que apoia todas as manifestações de arte, estimula a pesquisa nas áreas científica e humana, estabelece intercâmbio cultural com outros países, investe na criança visando à formação do cidadão. Identifica e homenageia personalidades e empresas que se destacam no meio acadêmico ou com projetos sociais, políticos e culturais.

A comenda é assinada pelo Comendador Prof. Gualter Carrara Júnior, Presidente do Conselho. Menezes foi indicado pela diretoria do Instituto Cultural da Fraternidade Universal, entidade fundada em 21 de abril de 1985 por empresários que tinham por objetivo criar uma instituição com finalidades sociais e filantrópicas, além de homenagear Empresas e Profissionais Liberais que se destacassem em seus segmentos e projetos. Possui 32 anos de atividades ininterruptas de culto ao civismo e ao sentimento nacionalista, sendo parceiro da Soberana Instituição Heráldica, Ordem da Paz Universal.

Fonte AbsoluteRio

Junho 14, 2017 Posted by | jornalismo | , , | Deixe um comentário

Lurian Silva foi empossada presidente do PT Maricá

Fonte: Raphael Coutinho, texto final e fotos: Jornalista Rosely Pellegrino

Lurian Silva Presidente do Diretório Municipal do PT Maricá O Diretório do Partido dos Trabalhadores do Município de Maricá realizou na noite, desta terça-feira, dia 6 de junho de 2017, a solenidade de posse da Diretoria Executiva eleita no Processo de Eleições Diretas (PED), realizado em todo Brasil, no dia 9 de abril. Lurian Silva foi eleita presidente municipal do Partido com total aprovação.

nova diretoria Nova Diretoria do PT Maricá

A solenidade aconteceu no salão do Rotary Club Maricá e contou com a presença do re-eleito Presidente Estadual do PT RJ, Washington Quaquá, de lideranças de vários partidos da cidade, como Julio Carolino, do PDT, Alan Novaes do PC do B, Sergio Travi do PV, Gisele Lisboa da REDE, além de inúmeros militantes petistas.

Discurso de Dona Ione Dona Ione Cardoso, mãe de Quaquá, que presidiu o PT de Maricá por duas vezes, fez um discurso emocionado relatando a história de fundação do partido e lembrou da importância que teve seu filho Marco Antônio Cardoso Siqueira, no processo de construção do Partido, Rato como era conhecido pelos amigos foi saudado em memória. Dona Ione também mencionou a trajetória política de seu filho Washington Siqueira (Quaquá), e todas as mudanças que ele proporcionou na vida do povo maricaense.

Deputada Estadual Rosangela Zeidan, ex-presidente do partido e atual vice-presidente, não pode estar presente, pois encontrava-se na ALERJ, em importante votação contra a aprovação das contas do governo do estado.

Quaquá durante sua fala DSCN7510 Fundador do Partido dos Trabalhadores em Maricá, Quaquá lembrou que nada foi fácil e enfatizou pontos importantes desde a fundação do PT de Maricá, as conquistas e ao desenvolvimento do município durante seus oito anos de governo, assim como mencionou a diferença que o governo do ex presidente Lula fez na vida do povo brasileiro e reiterou seu total apoio ao mandato do sucessor Fabiano Horta, que por motivos de agenda não pode estar presente.

Destacamos a presença de autoridades como Doutora Inês Pucello, Felinto Santos do MST, Dolores Otero Presidente Municipal do Diretório do PT de Tanguá, Vereador de Maricá Rob Gol, representantes das lideranças jovens do JPT e UJS, representantes da Frente Popular das Mulheres de Maricá, vários secretários de governo como: Jorge Castor da Assistência Social, Adriana Luiza da Educação, Lezirée Rejane da Secretaria de Política para Idosos, Alan Novaes de Desenvolvimento, Sérgio Mesquita de Tecnologia, Leonardo Secretário de Planejamento Orçamento, Joab Controlador Geral do Município, dentre outros.

Vale mencionar que Lurian recebeu um recado muito carinhoso de seu pai, nosso eterno Presidente do Brasil Luis Inácio Lula da Silva, ensejando felicidades neste novo desafio assumido por ela. Confira aqui: https://www.facebook.com/lurian.silva.3/videos/1518711294840605/

Nas fotos de Rosely Pellegrino, você confere os melhores momentos da posse:

Presidente Estadual do PT RJ Washington Siqueira Quaquá e Lurian Silva Presidente Municipal do PT Maricá DSCN7434

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Conheça a nova Diretoria do Diretório Municipal do PT Maricá:

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NOME
FUNÇÕES

LURIAN CORDEIRO LULA DA SILVA
PRESIDENTE

ROSANGELA DE OLIVEIRA ZEIDAN
1º VICE PRESIDENTE

JORGE LUIZ CORDEIRO DA COSTA
2º VICE PRESIDENTE

ALDAIR NUNES ELIAS
3º VICE PRESIDENTE

MONICA COUTINHO PINHEIRO DIAS
EXECUTIVA : SECRETARIA DE ORGANIZAÇÃO – SORG

MAX AGUIAR ALVES
EXECUTIVA : SECRETARIO DE FINANÇAS

DAYRLENE DA SILVA COSTA
EXECUTIVA: SECRETARIA DE MOVIMENTO POPULARES

FELIPE ZEIDAN SILVEIRA
EXECUTIVA: SECRETARIA DE LGBTS

IONE CARDOSO SIQUEIRA
EXECUTIVA : SECRETARIA DE ASSUNTOS INSTIRUCIONAIS

IRACEMA DA SILVA MIRANDA
EXECUTIVA : SECRETÁRIA DE MOBILIZAÇÃO

LUCIANA DA SILVA PIREDDA
EXECUTIVA : SECRETARIA DE MULHERES

MARIA BEATRIZ LULA DA SILVA SATO ROSA
EXECUTIVA : SECRETARIA DE JUVENTUDE

PEDRO GOMES DE SOUZA MELLO
EXECUTIVA : SECRETARIO DE COMUNIÇÃO JPT

RICHARD ALTER SEAL
EXECUTIVA : SECRETARIO GERAL

ROBSON TEIXEIRA DA SILVA
EXECUTIVA : LIDER DE BANCADA

SERGIO LUIZ DE OLIVEIRA MESQUITA
EXECUTIVA : SECRETARIO DE FORMAÇÃO POLÍTICA

WALDEMY GABRIEL DA SILVA FILHO
EXECUTIVA : SECRETARIO DE IGUALDADE RACIAL

ANDREA CUNHA DA SILVA MONKEN
EXECUTIVA : SECRETARIA DE CULTURA ***

FELIPPE ALVES DE MIRANDA
EXECUTIVA : VOGAL

LAURA MARIA VIEIRA DA COSTA
EXECUTIVA : VOGAL

MARCOS DE DIOS COELHO
EXECUTIVA : VOGAL

MARIA INEZ DOMINGUES PUCELLO
EXECUTIVA : VOGAL

SIMONE BARCELOS BEZERRA
EFETIVA DO DIRETÓRIO

ADRIANA LUIZA DA COSTA
SUPLENTE DIRETÓRIO

BRUNA DIONÍSIO DOS SANTOS
SUPLENTE DIRETÓRIO

CAIO CESAR DO NASCIMENTO
SUPLENTE DIRETÓRIO

CLAUDIO ROBERTO QUEIROZ LUZ
SUPLENTE DIRETÓRIO

DIEGO ZEIDAN CARDOSO SIQUEIRA
SUPLENTE DIRETÓRIO

FABIANO TAQUES HORTA
SUPLENTE DIRETÓRIO

GABRIELA RODRIGUES ALVES
SUPLENTE DIRETÓRIO

HELTER VIANA FERREIRA DE ALMEIDA
SUPLENTE DIRETÓRIO

JAQUELINE DA COSTA MUNIZ
SUPLENTE DIRETÓRIO

JOSEFA XAVIER LEAL
SUPLENTE DIRETÓRIO

MANOEL LUIZ LAGO PEREIRA
SUPLENTE DIRETÓRIO

MARTA DE MELLO QUINAN
SUPLENTE DIRETÓRIO

MONICA FERREIRA RIGO
SUPLENTE DIRETÓRIO

RAPHAEL COUTINHO PINHEIRO DIAS
SUPLENTE DIRETÓRIO

RENATA DIAS DE MEDEIRO
SUPLENTE DIRETÓRIO

ROGERIO ANTONIO ALMENTEIRO GOMES
SUPLENTE DIRETÓRIO

RONETE DE SOUZA DIAS
SUPLENTE DIRETÓRIO

SANDRA DIAS BITTENCOURT
SUPLENTE DIRETÓRIO

WASHINGTON LUIZ CARDOSO SIQUEIRA
SUPLENTE DIRETÓRIO

WILSON DE OLIVEIRA BARBIERI
SUPLENTE DIRETÓRIO

KAMILLY DOS SANTOS MUNIZ
CONSELHO FISCAL

JAIME FERNANDES
CONSELHO FISCAL

CAROLINA FARIAS RIBEIRO
COMISSÃO DE ÉTICA

MOISES LOPES PERINI
COMISSÃO DE ÉTICA

Junho 8, 2017 Posted by | jornalismo, Maricá, PT, PT Maricá | , , | Deixe um comentário

Educar pode ser um ato de transformação pessoal e do mundo

Sandra Gurgel 

Sandra Gurgel, educadora, com um percurso profissional na educação publica e em movimentos sociais, busca sintetizar esta frase na prática. Seu olhar fala desta história, mas faz também fazendo ponte com o afeto.

Há alguns anos tem enfatizado seu trabalho através de ações voltadas para uma abordagem que leve em conta a desigualdades social e racial brasileira. A aplicação da Lei n º 10.639/03, que determina a obrigatoriedade do ensino da história do negro e da África nos estabelecimentos de ensino, que têm tido imensas dificuldades de aplicação. É seu campo de trabalho, mas que tem conseguido propor ações efetivas com leveza e poesia. E é com esta marca que tem realizado palestras, aulas em pós-graduação, encontros de mulheres, oficinas e mesmo reuniões de equipe pelas quais passou.

Recentemente desenvolveu um projeto intitulado Afroencantamento. A proposta foi levar livros às escolas e através de histórias de nosso povo negro e de Áfricas, realizar uma tarefa ao mesmo tempo simples e extremamente difícil: reencantar o mundo. Através deste trabalho surgiram iniciativas, desenvolvidas pelas escolas, de uma imensa diversidade. Desde um grupo de crianças vestidos como Jackson Five, a uma escola que propôs uma viagem à África, usando a imaginação é claro, mas fazendo “passaportes” para as crianças além de uma simulação de uma viagem de avião ao mais antigo continente. A África, a partir de então, era na escola.

A simplicidade e com que provoca este encontro com nosso passado africano, no entanto passa também pela complexidade. São estes caminhos que a levaram a realizar seu Mestrado em um campo ainda pouco conhecido, mas emergente: a Ciência da Religião, cursado na PUC São Paulo. Neste espaço pode falar também de sua história pessoal, onde social, religioso e politico se fizeram presentes. Sem esquecer a afetividade, mas com uma proposta de pensar a cosmovisão africana como contribuição epistêmica para o enfrentamento do racismo.

Este percurso permitiu a esta moradora de nossa cidade e alçar voos que ainda a surpreendem. Em fins de maio estará em Lisboa, Portugal, para apresentar suas pesquisas no 2º Congresso Lusófono de Ciências da Religião, que este ano tem o tema: História, Memórias, Narrativas – Ruturas, Violências, Fundamentalismos e Revoluções. Neste evento coordenará um Simpósio Temático: Narrativas Transgressoras: Religião, Literatura e Educação na Perspectiva da Mulher Negra. Porém, dada a importância do tema, a organização acadêmica a convidou para coordenar e também compor uma Mesa Temática intitulada Narrativas do Cotidiano: a religiosidade negra, história, educação, racismo e violência.

Ainda este ano também estará lançando em junho seu primeiro livro.

Enfim, ao que parece Sandra Gurgel ainda tem muito a colaborar, com um folego de quem começa, após o percurso de uma vida profissional produtiva e promissora. Sandra, atua em nossa rede de ensino realizando aulas, palestras e contação de histórias, dialogando com crianças e colegas para superar as dores e efeitos do racismo no ensino, ao mesmo tempo em que busca reencantar a vida.

Maio 8, 2017 Posted by | Educação, literatura, projeto educacional | , , | Deixe um comentário

Nada de incêndio na fábrica! Esta é a verdadeira história do 8 de março

O Dia da Mulher é uma data política, que vem da luta de mulheres operárias e não da morte passiva

por LAIS MODELLI

Zetkin, a mulher que sugeriu a criação do Dia Internacional da Mulher. Foto: Arquivo

Há séculos, alimenta-se a ideia de que o 8 de março, Dia Internacional da Mulher, teria surgido por causa da morte de 130 operárias carbonizadas em um incêndio em uma fábrica têxtil de Nova York em 1911.

Intelectuais feministas, contudo, afirmam que essa versão trágica do surgimento da data, em que mulheres morreram de forma passiva enquanto trabalhavam, abafa a história de luta e mobilização das mulheres operárias do final do século 19, que se organizavam contra governos e patrões por melhores condições de trabalho.

A principal teórica no Brasil a trabalhar o tema do 8 de março é a socióloga Eva Blay, professora da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP e coordenadora do USP Mulheres. Blay explica que a criação da data foi motivada “por fortes movimentos de reivindicação política, trabalhista, greves, passeatas e muita perseguição policial”, e não somente pela morte de dezenas de mulheres exploradas pelo capital.

Segundo ela, desvincular o 8 de março, hoje considerado um dia festivo e capitalista – em que patrões e empresas insistem em “presentar” funcionárias com maquiagem, flores e serviços em salões de beleza – da luta de operárias por melhores condições de trabalho, é uma maneira de apagar a o protagonismo das mulheres em sua própria história social e política.

8 de março: uma data política

Segundo a socióloga Flávia Rios, professora da Universidade Federal do Goiás e coordenadora do Simpósio “Relaciones Raciales y de Género: Identidad, Interseccionalidad y Movimientos Sociales”, o incêndio em Nova York faz parte da história de luta das mulheres, mas como contexto, não como fator único de criação do 8 de março.

“No incêndio, morreram operárias num contexto em que feministas e trabalhadoras faziam forte mobilização pela igualdade na política e por melhores condições de trabalho”, explica Rios.

A própria versão do incêndio é confusa. A mais conhecida diz que, em 1911, cerca de 600 mulheres e homens trabalhavam na fábrica têxtil Triangle Shirtwaist Company quando as chamas começaram. Naquela época, os trabalhadores eram trancados nas fábricas e os relógios eram cobertos, para não terem noção de quanto tempo haviam trabalhado. As péssimas condições, com vários retalhos de tecidos espalhados pelo chão do lugar,  ajudaram o fogo a se espalhar rapidamente, matando 125 mulheres, de 13 a 23 anos, e mais 21 homens, enquanto trabalhavam.

O episódio causou comoção nacional e, no dia do funeral, 100 mil pessoas compareceram ao local. O terreno em que funcionava a Triangle Shirtwaist Company hoje é a Universidade de Nova York.

Uma outra versão diz que o incêndio aconteceu no século 18 e o fogo teria sido proposital. O objetivo era o de matar trabalhadoras têxtis que pediam diminuição da carga horária, que naquela época era de até 14 horas diárias, de segunda-feira a sábado, chegando a incluir alguns domingos de manhã. Era comum também os filhos das operárias, ainda crianças, comporem os quadros de empregados das indústrias, pois o trabalho infantil não era proibido e creches não eram um direito das mães trabalhadoras.

“Em 8 de março de 1857, em Nova York, as operárias têxteis entraram em greve pedindo a redução da jornada de trabalho de 16 para 10 horas por dia e recebendo menos que um terço do salário dos homens. Parte das grevistas foi trancada no galpão e a fábrica foi incendiada. 130 delas foram carbonizadas”, explica a cientista política Lucia Avelar, professora da Universidade de Brasília.

A versão mais aceita diz que, segundo Eva Blay, em 1910, a militante Clara Zetkin propôs a criação de um Dia Internacional da Mulher, sem definir uma data precisa, no II Congresso Internacional de Mulheres Socialistas, em Copenhagem.

Para Blay, nenhuma das versões de incêndio foram usadas por Zetkin como motivação, uma vez que, mesmo na versão mais conhecida do incêndio, teria acontecido um ano após a militante propor a data como uma data de luta.

A alemã Clara Zetkin era membro do Partido Comunista Alemão e militante operária das causas das trabalhadoras mulheres. Em 1891, criou a revista Igualdade, que circulou por 16 anos e era formada por mulheres e voltada às trabalhadoras, e em 1920 chegou a ser deputada na Alemanha, defendendo a participação das mulheres na política e no trabalho. Lutou contra o nazismo, mas, com a ascensão de Hitler em 1933, teve que exilar-se em diversos países, escolhendo morar, por fim, na URSS. Morreu naquele mesmo ano, em Moscou.

A proposta de um Dia Internacional da Mulher por Zetkin estabelecia que a data seria um dia de mobilizações de mulheres trabalhadoras em todo o mundo, que abordariam tanto a pauta da questão das mulheres no trabalho, como lutariam pelo sufrágio, o direito ao voto feminino.

Diversas manifestações de trabalhadoras na Europa se seguiram desde a proposta da criação do Dia Internacional da Mulher. Segundo Blay, a manifestação mais famosa aconteceu em 8 de março de 1917, quando operárias russas do setor de tecelagem entraram em greve e pediram apoio aos metalúrgicos.

Essa greve de mulheres teria sido reconhecida por Trotsky como o primeiro momento da Revolução de Outubro, que resultou na Revolução Russa de 1917.

Em 1975, a ONU oficializou o dia 8 de março como o Dia Internacional da Mulher por meio de um decreto.

A exploração das mulheres e a formação do capitalismo

Segundo especialistas, a divisão sexual do trabalho, desde sempre, teve uma função social que ultrapassa os fatores econômicos e trabalhistas: garantir a dominação dos homens na sociedade.

Para a cientista política Flávia Biroli, professora da Universidade de Brasília, a importância de se associar o 8 de março às lutas de trabalhadoras contra seus patrões é a de reconhecer que o capitalismo industrial foi estruturado sobre a subordinação das mulheres.

“A desvalorização do trabalho das mulheres e o controle sobre elas tanto no âmbito familiar quando no público, isto é, na política e no trabalho, são elementos organizadores do capitalismo industrial e permanecem fundamentais para se explicar as conexões entre gênero, trabalho e desigualdades hoje”, afirma Birolli.

O trabalho e a mulher

A socióloga Rios explica que desde a sua origem, o movimento feminista foi organizado sobre três pontos sociais, sendo um deles relacionado à situação de exploração da mulher no mercado de trabalho.

“O movimento feminista sempre esteve fortemente envolvido com o tema da igualdade. Isto é, igualdade nos direitos políticos (direito ao voto), direitos civis (ao divórcio) e direitos sociais (igualdade no mercado de trabalho, como direito à equidade salarial)”, pontua Rios.

A socióloga afirma que, apesar de intelectuais, acadêmicas e até burguesas integrarem o início da mobilização de mulheres no mundo, a situação de desigualdade salarial entre operários homens e mulheres foi um dos principais motores para o movimento feminista no início do século 20.

Mais que isso, o tema da mulher e o trabalho é tão antigo que aparece um século antes das lutas que resultaram no 8 de março. “A divisão sexual do trabalho pode ser encontrada como problema nas precursoras no século 18, como Mary Wolstonecraft. Mas é entre intelectuais socialistas como Clara Zetkin e, mais tarde, Alexandra Kollontai, que essa crítica passou a abranger as relações de classe”, explica Biroli. Mary Wolstonecraft foi uma escritora inglesa nascida em 1759. Ela é considerada a fundadora do feminismo no mundo por causa da sua obra “Reivindicação dos direitos das mulheres”, publicada em 1792.

A cientista política Avelar ressalta, contudo, que as feministas operárias e trabalhadoras sofreram grandes injustiças por não serem consideradas intelectuais ou por não pertencerem a classes sociais privilegiadas.

“O sufrágio foi uma pauta unificadora desses movimentos, mas os temas relacionados às condições de trabalho e de proteção social, eram prioridade das mulheres trabalhadoras e sindicalizadas”.

Para Avelar, a mulher da periferia, assim como a trabalhadora das camadas mais pobres e marginalizadas, ainda são as mais silenciadas e as menos favorecidas.

“As divisões de classe social, de raça e etnia, separam as mulheres em suas condições objetivas de vida”, explica. “Existe a convicção de que os movimentos feministas e as organizações sindicais caminham juntos, o que é não é completamente verdade. Mas se não fosse a adesão de mulheres de classe média, secundaristas e universitárias às causas das mulheres de periferia, questões como creches, custo de vida, saúde reprodutiva, jamais ganhariam força e visibilidade.”

SOBRE @ AUTOR@: LAIS MODELLI

Lais Modelli Laís é ativista, jornalista e mestre em Comunicação Midiática, especializada em feminismo e cibercultura. É criadora da página Nem Uma Mulher Mais e escreve grandes reportagens sobre gênero e política para a revista Caros Amigos desde 2012. Foi correspondente internacional no México e tem muito apreço pela história das mulheres latinas. Sonha em ser escritora um dia.

Março 9, 2017 Posted by | jornalismo | , , | Deixe um comentário

CEU de Maricá divulga programação de atividades

Fonte: Prefeitura Municipal de Maricá

Centro de Artes e Esportes Unificados (CEU) Marco Antônio Cardoso Siqueira: Programação semanal inclui teatro, ballet, jazz, contação de histórias, aulas de reforço e artesanato, nos turnos manhã e tarde

Imagem da fachada do Centro de Artes e Esportes Unificados Atividades esportivas são oferecidas gratuitamente no CEU, na Mumbuca – Foto: Michel Monteiro

O Centro de Artes e Esportes Unificados (CEU) Marco Antônio Cardoso Siqueira, localizado na Mumbuca, da Secretaria de Cultura, está promovendo uma série de atividades para pessoas de diversas idades. A programação semanal é permanente e inclui teatro, ballet, jazz, contação de histórias, aulas de reforço e artesanato, com aulas nos turnos da manhã e tarde.

Confira abaixo a relação:

Segunda-feira

Ballet clássico – Profa. Dayanna – 6 a 9 anos – 15h às 16h (turma fechada)

Ballet clássico iniciante – Profa. Dayanna – 6 a 9 anos – 16h às 17h

Ballet Moderno/Contemporâneo – Prof Leandro – a partir 13 anos de  – 17h às 19h

Terça-feira

Ballet Clássico – Profa. Dayanna – 6 a 9 anos – 9h às 10h (turma fechada)

Ballet clássico iniciante – Prof Dayanna – a partir de 06 a 09 anos 10h as 11h

Ballet iniciante – Prof Leandro – 8 a 12 anos – 14h às 15h

Ballet Intermediário – Prof Leandro – 8 a 12 anos – 15h às 16h (turma Fechada)

Jazz intermediário – Prof Leandro – 8 a 12 anos – 16h às 17h

Ballet adulto Intermediário – Prof Leandro – 17h às 18h

Jazz adulto intermediário – Prof. Leandro – 18h30 às 19h30

Quarta-feira

Maquiagem – Prof Lunah – a partir de 14 anos – 13h às 14h

Ballet clássico – Profa Dayanna – 6 a 9 anos – 15h às 16h (turma fechada)

Ballet clássico iniciante – Profa. Dayanna – de 6 a 9 anos 16h às 17h

Teatro Infantil – Prof Washington – 8 a 13 anos – 17h às 19h

Quinta-feira

Ballet clássico – Prof Dayanna – 6 a 9 anos – 9h às 10h (turma fechada)

Ballet clássico iniciante – Prof Dayanna – a partir de 6 a 9 anos 10h às 11h

Ballet iniciante – Prof Leandro – 8 a 12 anos – 14h às 15h

Maquiagem –  Prof Lunah  –  a partir de 14 anos – 11h às 12h

Ballet Intermediário – Prof Leandro – 8 a 12 anos – 15h às 16h (turma Fechada)

Jazz intermediário – Prof. Leandro – 8 a 12 anos – 16h às 17h

Ballet Intermediário – Prof. Leandro – a partir 13 anos – 17h às 18h

Ballet Juvenil – Prof. Leandro – 10h às 11h – 10 a 12 anos

Sexta-feira

Ballet Clássico Iniciante – Prof. Leandro –  a partir 12 anos – 15h às 16h

Jazz iniciante – Prof. Leandro – a partir 12 anos – 16h às 17h

Ballet moderno/contemporâneo – Prof. Leandro – a partir de 13 anos – 17h às 19h

Teatro juvenil – Prof. Washington – 14 a 17 anos – 18h30 às 20h30

Teatro Adulto – Prof. Washington – a partir de 18 anos – 20h30 às 22h30

Outras atividades

Pintura em tecido – Profº Míriam – a partir 10 anos –  19h às 21h  –  (segunda-feira)

Contação de Histórias (Biblioteca)  – Bruno Marçal – a partir de 12 anos – 18h às 19h30 (quarta-feira)

Aula de reforço – Profa. Carolina – 3º ao 5º (Ensino Fundamental I), 6º ano (Ensino Fundamental II – Exceto Matemática) – 9h às 10h e 10h às 11h/ 13h às 14h, 14h às 15h e 15h às 16h – (somente quarta e sexta)

Pet apliquet – Profª Miriam – a partir 14 anos –  (quarta-feira, de 9h às 11h, e quinta-feira, de 14h às 16)

Aula de reforço – Profa. Carolina – 3º ao 5º (Ensino Fundamental I), 6º ano (Ensino Fundamental II –– Exceto Matemática) – 9h às 10h e 10h às 11h/13h às 14h, 14h às 15h e 15h às 16h (terça-feira)

Pintura em tecido – Profa. Míriam – a partir 10 anos –  9h às 11h e 14h às 16h  (terça e sexta-feira).

De segunda à quinta:

Desenho Artístico – Profa. Marlon – a partir 7 anos – 9h30 às 10h30h e 10h30 as 11h30/ 14h às 15h  e 15h às 16h.

Para se inscrever, as pessoas devem levar cópia de Identidade, CPF e comprovante de residência. As inscrições, que são gratuitas, estão sendo feitas no local, das 9h às 17h. O Centro de Artes e Esportes Unificados Marco Antônio Cardoso Siqueira (CEU), fica na Rodovia Amaral Peixoto, s/n. Km. 27,5, Mumbuca. Tel: 2637-2713.

Março 9, 2017 Posted by | arte, artesanato, cultura, Dança, esportes, jornalismo, Lazer, Maricá, projeto cultural, Teatro | , , , | Deixe um comentário

Zeidan participa do Encontro de Parlamentares do PT Contra o Desmonte da Previdência

Encontro está sendo transmitido ao Vivo agora pelo facebook do PT Câmara Federal e do PT Senado Federal

Zeidan Contra o Desmonte da Previdência Deputada Estadual Zeidan anunciou o início do encontro. Na mesa, presidente Nacional do PT Rui Falcão,  Líder do PT Deputado Federal Carlos Zaratini, Senadora Gleise Hoffman e Senador Humberto Costa, Deputados Federais José Guimarães e Décio Lima

Deputada Estadual Zeidan Contra o Desmonte da Previdência Na rede social Zeidan postou: “Dando início aqui em Brasília ao nosso Encontro de Parlamentares do PT Contra o Desmonte da Previdência. Esse governo golpista quer impor as regras que faça com que o povo tenha que recorrer a uma das grifes de banqueiros e da previdência privada! As mulheres trabalhadoras e mães ontem ganharam as ruas nessa luta contra essa reforma em nossa CLT e na Previdência! Estou aqui como Líder da Bancada Estadual do PT/RJ e quero junto com a CUT e a OAB convocar um seminário como esse em nosso Estado. Na mesa nosso presidente Rui Falcão, nosso Líder do PT Federal Carlos Zaratini, senadora Gleise Hoffman e senador Humberto Costa, deputados federais José Guimarães e Decio Lima. Nossas mobilizações de ontem no dia 8 de marcos foi um pontapé importante nessa luta! Dissemos NÃO a essa reforma da Previdência!! Deputada Zeidan                       
Nosso Encontro está sendo transmitido ao Vivo agora pelo facebook do PT Câmara Federal e do PT Senado Federal. Abcs  Deputada Zeidan

Março 9, 2017 Posted by | jornalismo, política | , , | Deixe um comentário

Art Popular, Revelação, Leandro Sapucahy, Swing e Simpatia comandam Carnaval de Maricá 2017

Está tudo pronto para o Carnaval de Maricá. A Prefeitura, através da Secretaria de Turismo, organiza uma festa com shows gratuitos de Art Popular, Revelação, Leandro Sapucahy, Swing e Simpatia, Claudinho Guimarães, da Escola de Samba União de Maricá, além de artistas da região, como Fulia do Pimenta, Rafael Caçula, Agura’s Bands, Forró Brasil, Bruno Berner, Tô Kerendo, Samba dos Manos, Jô Borges, Me Puxa, Samba.com, Tá Tudo Em Casa, Moniquinha Ângelo e Amakina, que se apresentarão de 25 a 28/02 em 16 palcos espalhados pela cidade.

Bruno Berner CLAUDINHO GUIMARÃES

GRUPO TO KERENDO JÔ BORGES

LEANDRO SAPUCAHY - FOTO FERNANDO SILVA MONIQUINHA

RAFAEL CAÇULA SAMBA DOS MANOS

SAMBAPONTOCOM Swing e Simpatia

A novidade deste ano é a criação da Passarela do Samba, por onde desfilarão os 18 blocos que saem pelas ruas do Centro – ao todo, serão 75 blocos carnavalescos nos quatro distritos. O ponto principal é a Rua Abreu Rangel.

De 25 a 28/02, acontecem os shows em 16 palcos espalhados pela cidade. No Centro, se apresentam Rafael Caçula, Jô Borges e Samba dos Manos (dia 25), Art Popular (26), Rickson Maioli (27) e Revelação (28). Em Ponta Negra, a programação conta, respectivamente, com Claudinho Guimarães, Swing e Simpatia, Me Puxa e Leandro Sapucahy. Na Passarela do Samba, além dos desfiles dos blocos, acontece o Baile Infantil no domingo, dia 26, às 17h. Já a Escola de Samba União de Maricá se apresenta na terça-feira (28), às 23h.

A programação contará ainda com a Banda Sinfônica Ambulante (Centro); Bruno Berner, Samba.com, Moniquinha Ângelo e Me Puxa (São José do Imbassaí); Tô Kerendo e Rafael Caçula (Inoã); Bruno Fortes e Fulia do Pimenta (Santa Paula); Agura’s Bands (Minha Casa Minha Vida de Itaipuaçu); AMAKINA e Samba dos Manos (Praia do Francês); entre outros.

Os palcos serão instalados no Centro (Praça Orlando de Barros Pimentel) e Passarela do Samba (Rua Abreu Rangel), São José do Imbassaí (quadra do Dínamo), Inoã (Travessa Flamengo), Santa Paula (Estrada de Cassorotiba), Residencial Carlos Alberto Soares de Freitas – Minha Casa Minha Vida de Inoã (Rua Leonardo José Antunes), Barra de Maricá (Praça da Divinéia), Praia de Cordeirinho (Rua 91), Bambuí (Praça Lucas Peão), Ponta Negra (Avenida Litorânea), na Praia de Jaconé, além de Itaipuaçu com palcos no Residencial Carlos Marighella (Minha Casa Minha Vida – Rua Antônio Neiva), na Praia do Francês (Rua 83), Rua Professor Cardoso de Menezes (antiga Rua 1) com Avenida da Praia, Praça dos Gaviões (Avenida Zumbi dos Palmares) e Praia do Recanto.

Fevereiro 22, 2017 Posted by | Carnaval 2017, Carnaval de Maricá 2017, jornalismo, Lazer, Maricá, turismo | , | Deixe um comentário

20 anos sem as ideias do professor Darcy

Institucional | Correio Braziliense | Brasil | BR

Para quem conviveu com o antropólogo, ele, se estivesse vivo, estaria decepcionado com o tratamento dado ao seu principal projeto de país: garantir a escola pública de qualidade

» Natália Lambert

Se hoje estivesse vivo, provavelmente, Darcy Ribeiro estaria falando uns bons palavrões. Na opinião de estudiosos, amigos e parentes, o político e antropólogo ficaria decepcionado em ver que um de seus principais projetos praticamente não caminhou após sua morte, e, na opinião de alguns, até regrediu. O educador defendia que o primeiro passo para o desenvolvimento de uma sociedade é garantir uma escola pública de qualidade para que todos possam ter oportunidades iguais de desenvolver as próprias qualidades. Amanhã faz 20 anos que Darcy Ribeiro morreu e, para aqueles que conviveram com o professor, o legado precisa ser relembrado.

"É um projeto que não aconteceu e não acontece por falta de vontade política. Ele sempre falava que era impressionante como o Brasil conseguia tirar petróleo a sete mil metros de profundidade no mar e não conseguia copiar um simples modelo de educação feito em diversos países. A verdade é que não querem. É melhor para alguns deixar o Brasil tal qual como está", comenta Paulo Ribeiro, sobrinho de Darcy. "Com certeza, ele estaria em um sofrimento terrível. Uma pilha de nervos. Sem dormir diante deste país que tanto retrocedeu nesses vinte anos", acrescenta.

Presidente da Fundação Darcy Ribeiro (Fundar), Paulo conta que o tio fez parte de uma geração pós-guerra que se preocupou em olhar para o Brasil e enxergar as potencialidades da sociedade. Darcy via um país imenso, cheio de diversidades que, somadas, tinham potencial para ser exemplo de tolerância para o mundo. "Ele via que da soma ia surgir um povo novo. O Brasil ia ser a experiência de país que deu certo respeitando os direitos e as diferenças. E a chave para tudo isso era a educação. Mas a semente que ele plantou ninguém regou. O individualismo prevaleceu e a utopia morreu", lamenta Paulo.

Especialistas avaliam que iniciativas como a Medida Provisória 746/16, que reforma o Ensino Médio e será sancionada hoje pelo presidente Michel Temer, e projetos que pretendem uma "Escola sem Partido" — movimento que defende uma educação sem "doutrinação ideológica" — contrariam o que Darcy Ribeiro ensinava e, certamente, ele estaria na linha de frente lutando, argumentando e convencendo, já que tinha reconhecida habilidade de negociação. Para o coordenador-geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Daniel Cara, o professor seria favorável à reforma do ensino médio, mas não da forma como está. "Seria a favor da preocupação, até porque lançou a pauta do ensino integral no país, mas o integral não pode ser mais do mesmo. Ele defendia uma educação em que os alunos tivessem acesso à arte e à cultura geral", comenta. "A principal preocupação sempre foi garantir uma educação capaz de preparar plenamente crianças e adolescentes para a vida. E esse é um legado que não vai se acabar."

O professor emérito da Universidade de Brasília (UnB) Isaac Roitman, que conviveu com Darcy nos últimos anos de vida, acredita que o educador também não aprovaria as mudanças no Ensino Médio porque não vai adiantar reformar só um pedaço. "Seria favorável a reconstrução do sistema educacional, até porque quem vai cursar o ensino médio são os egressos do fundamental, que só estudam para fazer prova e muitos são semianalfabetos. Dobrar o tempo da criança na escola como ela é hoje é fazer terrorismo." Roitman destaca que Darcy e Anísio Teixeira são os pilares da UnB e conta que a dupla lutou junto ao governo federal à época para que a instituição fosse autônoma, negociando terrenos em quadras da Asa Norte para que se construísse um patrimônio. "A educação era o vício dele", relembra.

Já a secretária-executiva do Ministério da Educação, Maria Helena Guimarães de Castro, tem certeza de que Darcy aprovaria a MP 746, porque ela trata de temas que ele tocou quando aprovou no Senado a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB). "Ele defendia uma reforma, uma flexibilização e diversificação do ensino e é isso que a MP traz. A possibilidade de aprofundamento dos temas. Darcy era um homem com ideias muito avançadas para o seu tempo", comenta. Para a socióloga e professora, que trabalhou junto a Darcy na elaboração da LDB, seria uma decepção para ele ver que o Brasil ainda tem dificuldades em alfabetizar crianças. Segundo a Avaliação Nacional de Alfabetização (ANA), em 2014, somente 11% dos alunos do terceiro ano do ensino fundamental tinham nível considerado ideal de alfabetização. "Seria muito frustrante pra ele ver que ainda não conseguimos vencer essa batalha." Em relação à escola sem partido, a opinião é unânime: Darcy Ribeiro estaria furioso.

Ensinamentos

E não só políticos e educadores sentem a ausência do professor que tinha orgulho em dizer que era brasileiro. Defensor dos povos indígenas, o antropólogo é referência nacional. "Darcy Ribeiro faz muita falta na cena brasileira atual, na qual os direitos dos povos indígenas, sobretudo os territoriais, estão ameaçados de retrocesso, pelo desmonte da Funai e por iniciativas do Legislativo", afirma o antropólogo do Instituto Socioambiental (ISA) Beto Ricardo. O especialista lamenta que as novas gerações estejam se distanciando do homem que amava o povo brasileiro e ensinava o povo a se amar.

Uma vida para ser contada

» Nascimento e infância

A 400km de Belo Horizonte, em Montes Claros (MG), em 26 de outubro de 1922, nasceu Darcy Ribeiro. O pai, Reginaldo Ribeiro dos Santos era farmacêutico; a mãe, Josefina Augusta da Silveira, professora. Darcy e o único irmão, mais novo, Mário Ribeiro, foram criados pela mãe, já que o pai morreu quando ele tinha 3 anos. Por volta dos 13, passou a conviver com a família do pai, especialmente, o tio Plínio Ribeiro, que foi deputado federal. Na casa de Plínio, tinha uma grande biblioteca e nela Darcy começou a ler.

"Tenho duas vantagens que os meninos não têm. Meu pai morreu eu tinha 3 anos. Então, não tive nenhum pai chato me domesticando. E eu não tive nenhum filho para domesticar. Então, eu não fui domesticado e nunca domestiquei ninguém", disse durante uma entrevista"

» Juventude

Aos 17 anos mudou-se para Belo Horizonte para estudar medicina, curso em que permaneceu entre 1939 e 1943. Simultaneamente, assistia a aulas no departamento de ciências sociais e descobriu que estava no curso errado. Em 1944, mudou-se para São Paulo e matriculou-se na Escola de Sociologia e Política, onde formou-se em 1946, com especialização em Etnologia. Ainda em Belo Horizonte, começou a militância no Partido Comunista Brasileiro, movimento que abandonou anos depois. Em São Paulo, conheceu a antropóloga romena Berta Gleiser, com quem ficou casado entre 1948 e 1975.

"Sempre fui, em toda a minha vida adulta, um cidadão ciente de mim mesmo como um ser dotado de direitos e investido de deveres. Sobretudo, o dever de intervir neste mundo para melhorá-lo"

» Índios

Em 1947, entrou no Serviço de Proteção aos Índios (SPI), onde conheceu Cândido Mariano da Silva Rondon (Marechal Rondon), então presidente do Conselho Nacional de Proteção ao Índio. Ali, conviveu com comunidades indígenas do Mato Grosso e da floresta amazônica. Em 1953, inaugurou o Museu do Índio e organizou, em 1955, o primeiro curso de pós-graduação em antropologia cultural realizado no Brasil. Em parceira com os irmãos Orlando e Claudio Villas-Boas, criou o Parque Indígena do Xingu (MT).

"Dediquei a vida aos índios, à minha paixão por eles e também à escola pública. Minha vida é feita de projetos impessoais para passar o Brasil a limpo, porque o Brasil é máquina de gastar gente. Gastou seis milhões de índios e o equivalente de negros. Para eles? Não! Para adoçar a boca do europeu com açúcar, para enriquecer uns poucos.

O povo foi gasto como carvão neste país bruto"

» Doença

Em maio de 1975, é internado em uma clínica de Paris e recebe o diagnóstico de um tumor no pulmão. Teve autorização de voltar ao Brasil e retirou um dos pulmões. Em 1994, recebe novamente um diagnóstico da doença, dessa vez, câncer de próstata. Em 1995, depois de ficar meses internado no Hospital Samaritano, no Rio de Janeiro, fugiu da Unidade de Terapia Intensiva para o sítio que tinha em Maricá, onde terminou de escrever uma de suas principais obras O povo brasileiro. Ainda viveu por mais dois anos.

"Eu não tenho medo da morte. A morte é apagar-se, como apagar a luz. Presente, passado e futuro? Tolice. Não existem.

A vida vai se construindo e destruindo. O que vai ficando para trás com o passado é a morte. O que está vivo vai adiante"

Fevereiro 16, 2017 Posted by | jornalismo | , | Deixe um comentário

Maricá: laboratório brasileiro da ‘renda básica universal’

fonte: Revista Isto é

A primeira moeda social virtual do Brasil foi lançada há três anos - AFP A primeira moeda social virtual do Brasil foi lançada há três anos – AFP

Cliente usa o cartão Mumbuca em uma farmácia de Maricá - AFP Cliente usa o cartão Mumbuca em uma farmácia de Maricá – AFP

O vermelho está em praticamente todos os prédios públicos de Maricá, cidade de 150 mil habitantes na Região dos Lagos que se tornou laboratório da implantação progressiva de um programa de renda básica universal.

“Falta criatividade no mundo, e Maricá tem a singela pretensão de dar o exemplo de uma cidade que sabe redistribuir suas riquezas”, declarou, orgulhoso, o ex-prefeito petista Washington Quaquá (2008-2016).

Abalado pela recessão e pelos escândalos de corrupção, o PT sofreu uma derrota histórica nas eleições municipais de outubro passado. Em Maricá, porém, depois de dois mandatos consecutivos, Quaquá conseguiu eleger seu herdeiro político, Fabiano Horta.

“Somos um laboratório para a esquerda brasileira”, insiste esse ardoroso admirador de Che Guevara, em seu escritório repleto de imagens do líder revolucionário.

Em breve, um hospital local que está em construção receberá o nome do célebre argentino.

Há três anos, Quaquá lançou o Mumbuca, a primeira moeda social virtual do país. Graças a um cartão magnético – vermelho -, os beneficiários do programa recebem um “complemento de renda” para comprar artigos de primeira necessidade em algumas lojas.

Dinheiro do petróleo para todos

No final de 2015, no âmbito dessa iniciativa, Quaquá lançou um projeto de “Renda Básica de Cidadania” (RBC), dedicado a beneficiar os moradores de Maricá, incluindo os bebês.

A experiência chamou tanta atenção que a revista britânica The Economist dedicou uma matéria a esse projeto ainda embrionário.

De qualquer modo, ainda se está longe, por exemplo, da promessa de renda universal de 750 euros por mês que o candidato socialista à eleição presidencial na França Benoît Hamon pretende implantar gradualmente em dois mandatos.

Hoje, apenas as 14 mil famílias mais carentes de Maricá têm acesso a uma “RBC” modesta de 10 Mumbucas, o equivalente a R$ 10. Essa quantia se soma aos R$ 85 em benefícios sociais mensais concedidos a essas famílias.

No caso dos jovens de 14 a 29 anos e das grávidas de baixa renda, é possível acumular outros benefícios, cujo valor é sempre depositado no cartão Mumbuca.

A prefeitura quer aumentar a RBC para R$ 100 até o fim deste ano, mas ainda não se pronuncia sobre um cronograma para sua universalização.

Apesar da recessão no país desde o início de 2015, o atual prefeito espera financiar integralmente o projeto, já contando com a receita proveniente do pré-sal. Horta tem a expectativa de vê-la “aumentar de maneira exponencial nos próximos dez anos”, graças, entre outros, ao “Campo Lula”, um campo em águas profundas descoberto perto de Maricá.

“A equação fundamental consiste em fazer esse dinheiro circular nas camadas populares, estimulando a economia local”, explica o prefeito.

‘Cultura do assistencialismo’

Por enquanto, apenas 131 lojas locais aceitam o Mumbuca, menos de 10% do total, admite a prefeitura. Os comerciantes alegam que são reembolsados pelo governo apenas entre 30 e 40 dias após as compras feitas pelos titulares do “cartão vermelho”.

“Graças ao Mumbuca, eu consigo comprar alguns remédios e produtos de primeira necessidade, mas a carne continua muito cara”, lamenta Paula Pereira, de 34 anos, que deixa a padaria com garrafas de leite compradas com o benefício.

O vereador da oposição Filippe Poubel (DEM) denuncia a instauração de uma “cultura de assistencialismo”.

“As pessoas querem trabalhar, ganhar seu próprio dinheiro com dignidade. Elas seriam bem mais felizes, se a prefeitura criasse esses empregos e lhes oferecesse atendimento decente no hospital”, criticou.

“Os ricos adoram ganhar milhões em benefícios fiscais, mas ficam furiosos quando a gente quer dar R$ 100 para os pobres”, rebate Washington Quaquá.

Em abril deste ano, ele irá à França para falar de seu programa de renda universal, a apenas alguns dias do primeiro turno das eleições presidenciais.


assista a matéria completa aqui:
https://www.youtube.com/watch?v=7FnkI9WtC84&feature=youtu.be 

Fevereiro 15, 2017 Posted by | Maricá | , , , | Deixe um comentário