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Centenas de amigos se despedem em Maricá, do grande militante Petista Socialista Carlos Manoel Costa Lima

Carlos Manoel Costa Lima 02.09.1958 / 23.02.2016

O secretário de Governo de Maricá, Carlos Manoel veio a óbito por um mal súbito, na manhã desta terça-feira 23.02.

O corpo foi velado na Câmara Municipal de Maricá, logo cedo na manhã desta quarta-feira, familiares e centenas de amigos emocionados, foram chegando para o último adeus, e se despedirem deste homem que ajudou a construir uma história de lutas e vitórias por um mundo melhor.

DSCN5166DSCN5168DSCN5169DSCN5188 O cortejo foi acompanhado por familiares e centenas de amigos e companheiros do cenário político nacional

Em seu perfil na rede social o Prefeito de Maricá Washington Quaquá, se despede do amigo e secretário chefe do Gabinete Cívil, e repetindo estas palavras, também nos despedirmos deste grande homem agregador incansável.

Até sempre, Companheiro!

Desde o século 19 que nós socialistas sonhamos com um mundo de igualdade e por muito tempo acreditamos na possibilidade de se construir um novo homem. Um ser humano feliz, alegre, cordial, compreensivo, amoroso, solidário, preocupado com os destinos do seu semelhante…

"Sentir profundamente qualquer injustiça cometida contra qualquer pessoa em qualquer parte do mundo é a qualidade mais bonita de um revolucionário", dizia Che Guevara, que segundo o filósofo Jean Paul Sartre e sua mulher, a feminista Simone de Beauvoir, CHE era "o ser humano mais completo de nossa época".

Muitos sonhos se perderam pelos ziguezagues do século XX. E entramos o século XXI mais mesquinhos, mais céticos, mais individualistas, mais pragmáticos… Numa linha reta em direção ao abismo humano e ecológico.

Diante de todo o avalanche de ataques que nós petistas e a esquerda estamos sofrendo. A reação contraditória que incrivelmente temos visto é um reavivamento da chama revolucionária e do compromisso original da nossa militância. Compromisso e reavivamento que nós assumimos como projeto quando iniciamos nossa gestão à frente do PT do Rio, tendo Carlos Manoel como tesoureiro e como um dos seus maiores dirigentes.

Conhecia ele há muitos anos pela militância metalúrgica, mas nunca tive convivência muito próxima. Apesar de Morar em Maricá já há alguns anos ele sempre foi discreto e exercia sua militância com a nossa querida deputada Benedita e não na cidade. Aqui ele cuidava das filhas e curtia as belezas de nossa cidade com a esposa Simone. Cultivava amigos, a maioria fora do circuito político. Nos últimos dois anos, a partir de nossa gestão no PT Estadual, nos aproximamos e passei a ter contato diário com ele. Foi quando resolvi mudar a dinâmica do governo, por sugestão do Fernando Rodovalho, e criar a coordenação do governo, com cinco secretarias executivas, convidando Carlos Manoel para a secretaria executiva da chefia de gabinete.

Foi ai na convivência quase familiar no dia a dia que vi de fato como era Carlos Manoel. Um ser humano diferenciado. Um resgate daquela ideia socialista de um novo ser humano. Nunca vi nele raiva e nem rancor. Um coração e uma generosidade do tamanho de nossos sonhos. Carlos Manoel era um exemplar perdido, raro, daquele novo homem socialista que se perdeu (?) na história.

Sou completamente anti flamenguista mas confesso que além do respeito ao Zico, tive uma enorme admiração pelo Leandro, lateral direito daquele time de ouro do início da década de 80. Leandro matava a bola na pequena área no peito e saia fazendo embaixadinha, deixando Roberto Dinamite ou qualquer outro grande atacante que estava pronto pra fazer o gol com cara de bobo. Carlos Manoel era assim. Não dava bico, canelada, cotovelada e nem chutão… Era um lorde, aristocrata, a pesar de sermos todos filhos da plebe rude.

Ontem, segunda-feira, nos reunimos as 8h da manhã para discutir novos projetos de governo e colocar em praticas nossas utopias. Eu falava, dizia o que estava pensando e quieto ele anotava. Ainda bronqueei: – anotou Carlos Manoel? Eu sabia que ele quando saía dali não só ia calma e eficientemente transformar sonhos em realidade, mas sempre fazia sua síntese e acrescentava novas visões e novas ideias. Nunca discordava frontalmente, mas sempre opinava de forma diferente. Era forma de discordar e alertar sobre o que achava equivocado.

Eu que não sou lorde, trouxe a favela comigo, e só sai de lá porque fui e sou um soldado de infantaria, tive nestes últimos anos em Carlos Manoel não apenas um amigo e um irmão, mas um companheiro a quem ouvia as ponderações. Aliás se existiu alguém ponderado foi ele.

Estava hoje, terça feira, com o seu (e meu) grande amigo Manoel Severino em Brasília quando as 5h30 da manhã comecei a acompanhar sua luta pela vida. Infelizmente Ele não saiu vitorioso desta. Uma pena! Tantos sonhos ficaram ai e tantas utopias que mobilizaram seu coração e sua paixão estão sendo realizadas em Maricá graças ao empenho que ele dedicou a eles. Se foi da nossa convivência física, amando muito Simone e os filhos, mas também amando o povo e fazendo realizar as utopias emancipatórias.

Cada projeto realizado em Maricá tem o DNA de Carlos Manoel. Um companheiro que honra a essência da palavra que quer dizer: "compartilhar o pão". Em cada derrota da esquerda será chorada essa lágrima que hoje choramos por ele. Mas cada vitória, a começar pela que teremos em outubro em Maricá, e as muitas que teremos aqui, no Brasil e no Mundo serão comemoradas com os fogos, as festas, as cervejas e o sorriso de Carlos Manoel.

Obrigado, Companheiro!

Washington Quaquá

Fevereiro 24, 2016 Posted by | jornalismo, Maricá | , , , | Deixe um comentário