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Anna Azevedo emplaca pérola entre os curtas de Berlim: Em busca da Terra Sem Males

"Em Busca da Terra Sem Males": observação à moda Ozu dos rituais cotidianos de uma tribo nos arredores do Rio

“Em Busca da Terra Sem Males”: processo de observação, à moda Ozu, dos rituais cotidianos de uma tribo nos arredores do Rio de Janeiro, no Município de Maricá, encanta a Berlinale

RODRIGO FONSECA
Pautado pela política do entendimento, entre povos, raças e formas de fé, o Festival de Berlim é local de encontro entre culturas, cujo congraçamento por vezes rende filmes de alta voltagem poética como se viu aqui num curta-metragem carioca cujo resultado estético une rigor narrativo e encantamento: Em Busca da Terra Sem Males. É da natureza cinematográfica de sua realizadora, Anna Azevedo, conhecida pelos belos Outono (2014) e Dreznica (2008), fazer da contemplação um instrumento para detectar o que existe nas relações para além do conflito: a repetição, o ritual do dia a dia, o verbo “viver” em sua desinência mais simples. É algo de Yasujiro Ozu que se faz transbordante neste novo curta, sobre uma tribo de índios nos arredores do Rio. Ela não se faz notar pela câmera de Anna por seus exotismos, por seu específico tribal, e sim pela universalidade de suas crianças, que exercitam as aeróbicas brincantes da infância em meio a um oceano de tradições de seus ancestrais. A Berlinale viu o filme no domingo, na mostra Geração, e se comoveu com ele, tendo mais uma projeção nesta terça, quando a capital alemã vai se deliciar à brasileira também com o curta animado Vênus: Filó, A Fadinha Lésbica, de Sávio Leite.

"Em Busca da Terra Sem Males"

Curta foge do cientificismo etnográfico

Na mitologia dos Guaranis, a expressão do título do curta, Terra Sem Males, é o lugar onde os índios, enfim, encontram a paz. Mas Anna diz que o mundo que encontrou ali, entre os índios, é triste, de perda.

“É um mundo triste de tantas perdas históricas, perdas iminentes e deslocamento. Mas são seres humanos belos na alma”, diz a cineasta. “Aquilo tudo esta por um triz Basta que um carro passe para eles ficarem sobressaltados na aldeia”.

Sem incorrer numa lógica etnográfica científica, Anna produziu um tratado sobre modos de sobreviver, na lógica colorida da infância.

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Fevereiro 14, 2017 Posted by | cinema / produção, cultura, Festivais, jornalismo | , , | Deixe um comentário